A voz dos excluídos é a Verdade Rua e Crua

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Há aqueles que conhecem o ritmo, as dores e as cores das ruas. Eles fizeram um jornal para falar coisas diferentes para seus iguais, de igual para igual. Rua e crua, sua verdade também quer ecoar na cidade.

“Somos excluídos, somos rejeitados. Temos coração, queremos ser amados”*. Esses versos retratam o sentimento diário de quem é invisível aos olhos da sociedade. Uma parte que não somente é silenciada, como também invisibilizada: as pessoas vivendo em situação de rua. Pessoas que por diversas razões deixaram suas casas e passaram a habitar as ruas da cidade. E foi para dar voz e vez a elas que o jornal A Verdade Rua e Crua foi pensado.

Lançado no último dia 17, a ideia do jornal é justamente retratar as vozes de um público diferenciado, aqueles que não têm suas vozes e versões retratadas e são discriminados diariamente por viverem nas ruas de Belém. “Queremos mostrar a nossa visão de mundo, conscientizar a sociedade que também somos seres humanos”, ressalta Luciano Costa, 29, um dos colaboradores do jornal.

Foto: Divulgação Facebook – A tiragem  de 500 cópias circulará gratuitamente entre pessoas que vivem em situação de rua e custará R$2,00 para o restante da população.

Seguindo a experiência do jornal Boca da Rua – que há 15 anos fala a partir da visão dos moradores de rua do Rio Grande do Sul, o A Verdade Rua e Crua é o primeiro jornal da Região Norte a pensar as ruas a partir de quem as vive. É construído de forma colaborativa e as informações contidas ali são relatos de usuários químicos, que atualmente estão abrigados na Unidade de Acolhimento (UA) – para tratamento e ressocialização –, de como é viver na rua, sobre o problema das drogas, da dependência química, a violência, a falta de oportunidades… Também possui espaço para poesias, hora do riso, propostas de empregos entre outros assuntos. “Nas ruas também existem artistas e muitas pessoas inteligentes. É isso o que vamos mostrar no jornal”, diz Luciano.

Cada vida ali presente tem uma história e é essa história que precisa ser ouvida. E, além de demonstrar para a sociedade que estão vivos e que têm voz, os colaboradores do jornal querem alcançar os que estão totalmente excluídos e mostrar a eles que ainda há amor, respeito e oportunidade.

“Qual a diferença entre eu e você? Será que você sabe me dizer? 
Será que é o meu erro que está exposto pra todo mundo ver?
A verdade é rua e crua, tá aí pra todo mundo ver”.*

Para Daiane Gasparetto, Psicóloga e colaboradora do jornal A Verdade Rua e Crua, a discussão está além do que se imagina, já que a intenção é problematizar fatores histórico-sociais que a nossa sociedade não quer enfrentar, a desigualdade social e a falta de oportunidade para todos, por isso “este jornal funciona como um dispositivo do que se chama de clínica política, por articular ativismo à produção de outras formas de existir”.

“este jornal funciona como um dispositivo do que se chama de clínica política, por articular ativismo à produção de outras formas de existir”.

A ilustração do jornal, bem como a música de lançamento, foi criada por Luciano Costa. A imagem da capa, intitulada pelo autor de “Pés Cansados”, simboliza o sofrimento e a situação dos moradores de rua, o cansaço de quem não tem perspectiva nenhuma de vida. Mas, a partir do jornal, hoje Luciano se reconhece com orgulho como músico, escritor, poeta, compositor, desenhista ator e palhaço, “tudo isso por terem me aceitado”.

Essa edição do A Verdade Rua e Crua será relançada no Mercado de Carnes do Ver-o-Peso, no dia 18 de dezembro, e a segunda edição está prevista para março de 2016. É um jornal distribuído gratuitamente às pessoas que vivem em situação de rua e vendido a um valor simbólico de R$ 2,00 ao restante da população.

*Trechos da música “A verdade Rua e Crua” de Luciano Costa.

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