Periféricos e integrados: Gueto 400 prepara movimento crítico e cultural para o aniversário de Belém

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Um morro de barracos, em cima, do lado e abaixo um dos outros, a perder de vista e sem espaço pra respiro. Uma visão de tirar o fôlego, a poucos metros de uma avenida de grande movimento na cidade. Essa imagem clássica de favela, retirada de reportagens, novelas e filmes na TV, você não vai achar aqui na geografia plana de Belém. Para enxergar as periferias da capital que abriga 66% dos seus habitantes em construções irregulares, segundo o Censo 2010, nem é preciso espichar muito a visão. A margem encontra o centro o tempo todo.

Cabanagem, Telégrafo, Una, Sacramenta, Guamá, Canudos, Guajará, Tapanã, Marambaia, Pratinha, Jurunas. Esses são alguns das dezenas de bairros (sem contar as áreas de ocupação) que formam um grande emaranhado periférico em torno do núcleo urbano. Na tarde de sol e chuva do sábado (28), uma parte dessa periferia se juntou no Parque da Residência, ponto turístico e símbolo da Belém central,  antigo lar dos governadores. Entre pessoas posando ao lado da estátua do Ruy Barata e grupos de estudantes fazendo fotos de formatura, eles trocavam ideias sobre como intervir na cidade à beira de completar aniversário. 












Em um dos pontos mais elitizados de Belém, Gueto 400 discutiu um outro modelo de cidade

“Comemorar consciente de que esses não são os 400 anos que a gente quer”, diz Adriana Aviz, do Núcleo de Educação Popular Raimundo Reis, no bairro do Bengui. “Em contraponto à celebração oficial, nós vamos dar o nosso olhar sobre esse aniversário”, completa Francisco Batista, do Coletivo Tela Firme. “Mostrar as mazelas e os valores, que a gente têm, porque o maior patrimônio da periferia é o valor humano”. Francisco e Adriana fazem parte do “Belém 400 anos, sob o olhar do Gueto: a periferia atenta!” ou apenas “Gueto 400”. Formado por coletivos culturais, políticos e da Universidade, o movimento nasceu em uma das maiores bairros da cidade, a Terra Firme, para contar como as pessoas da periferia veem o seu lugar e a cidade como um todo e o que querem para eles. 

A Terra Firme foi o piloto das atividades, com uma semana de oficinas de comunicação, palestras sobre racismo, mulher na periferia e outros temas e uma agitação cultural na Praça Olavo Bilac com grupos de expressão do próprio bairro . O modelo de ocupação cultural rendeu frutos e acontece hoje (29) na Cabanagem (veja aqui).


A enxurrada de ideias que surgiu durante o encontro na tarde de ontem foi uma amostra da situação e dos anseios das periferias de Belém

 
O momento atual, que motivou a reunião no parque renomeado pelo Gueto 400 como “da Resistência”, é de agregar membros de outras periferias e planejar os próximos passos do projeto: uma carta com reivindicações de todos os bairros para ser entregue à Prefeitura e o vídeo-manifesto (um registro audiovisual de pessoas lendo trechos da carta em vários pontos da cidade) e um documentário sobre a vida e os olhares das periferias de Belém.



Grupo quer mostrar a Belém que as periferias enxergam

A enxurrada de ideias que surgiu durante o encontro na tarde de ontem foi uma amostra da situação e dos anseios das periferias de Belém: falta de bibliotecas nos bairros, o desamparo das mães dos mortos nas chacinas recentes no Guamá, Terra Firme, Icoaraci e tantos outros lugares, a reordenação arbitrária das escolas públicas que abalou São Paulo e está chegando em Belém, o toque de recolher velado e o problema da mobilidade urbana. Essas e muitas outras pautas vão compor a carta de protesto e intenções do Gueto 400 para a cidade. O movimento quer somar mais e mais pessoas e suas propostas. No Parque da Resistência ou não, os encontros e ações vão continuar, é só acompanhar a página do grupo no Facebook ou, se você for de uma periferia Belém, ficar atento ao movimento no seu bairro, porque logo logo eles vão chegar aí.

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