Cultura alimentar

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O que comiam os cabanos na Belém do século XIX? A resposta vai ser saboreada nesta sexta (4) no jantar-palestra “Os antecedentes da Cabanagem”, na Casa Iacitatá Amazônia Viva.  

Na madrugada do dia 6 de janeiro de 1835, forças rebeldes se organizaram para tomar Belém, capital da então província do Grão-Pará, no episódio mais famoso do que ficaria conhecido como a Cabanagem. Antes do ataque que destituiria o presidente da província, porém, os cabanos certamente fizeram uma refeição, preparação física e psicológica para o ataque. Um pouco do cheiro daquela comida vai se espraiar, na noite desta sexta (4), na Casa Iacitatá Amazônia Viva, em Belém, durante o jantar-palestra “Os antecedentes da Cabanagem”. O evento, que ocorre no ano do aniversário de 180 anos do movimento cabano, vai misturar História e cultura alimentar para mostrar como as plantations coloniais ainda persistem na mesa do paraense. 

E todos são chamados a ir à cozinha, preparar o alimento, entender sua relação política, social e cultural. E se deleitar! (Foto: Rafael Monteiro)

O roteiro do evento vai entremear o conhecimento histórico aos pratos servidos, tendo como palestrante o historiador João Lúcio Mazzini, ex-diretor do Arquivo Público do Estado do Pará. “Iniciamos com a palestra sobre a Tomada de Cayena e logo será servida a primeira parte do jantar, beiju com arube”, explica a ativista Tainá Marajoara, uma das coordenadoras da Casa Iacitatá Amazônia Viva. “E, então, passamos ao episódio Adesão do Pará à Independência do Brasil e, em seguida, servimos o peixe moqueado e guererê.” Os episódios descritos aconteceram poucos anos antes da Cabanagem em si, no início do século XIX. Ah, ainda tem mais: a sobremesa vai ser um doce com mel de cana. Tudo preparado pelo chef Carlos Ruffeil, que também faz parte da Iacitatá Amazônia Viva. Terminadas as refeições da noite, serão traçadas as relações entre aquele período e o contemporâneo.

“Mas uma banana não é prática? Por que não comer castanhas ou frutas secas ao invés de salgadinhos transgênicos”, contrapõe Tainá.

Todos os ingredientes têm origem artesanal em diversas regiões amazônicas. A farinha e a goma de tapioca, por exemplo, são do município de Bragança, nordeste paraense. O mel é de Abaetezinho. E o peixe vem do estuário da ilha de Mosqueiro, em Belém. Isso diz muito sobre a alimentação diária, em tempos nos quais a tendência é se alimentar à base de produtos industrializados na correria do dia a dia. “Mas uma banana não é prática? Por que não comer castanhas ou frutas secas ao invés de salgadinhos transgênicos”, contrapõe Tainá. “Esse consumo de industrializados, além do prejuízo para a saúde humana, ainda causa um excesso de resíduos sólidos e de orgânicos que, na verdade, não bombas tóxicas”. 

No preparo do beiju, a ativista Tainá Marajoara, na cozinha da Casa Iacitatá Amazônia Viva. 
(Foto: Rafael Monteiro)

Consumir “nossa cultura alimentar”, como afirma Tainá, “fomenta mercados locais, valoriza produtores e dá visibilidade e valores a nossas culturas”. Benefícios para o produtor e para o consumidor. O jantar-palestra faz parte das ações da Casa Iacitatá Amazônia Viva, um ponto de cultura alimentar cujo “principal campo de ação é o alimento e seu contexto cultural”. “A cultura alimentar é uma relação íntima entre o ser humano e o meio ambiente e suas relações simbólicas, ritualísticas, sociais, de afeto, a formação de sua identidade, vocabulário, políticas”, explica Tainá. E o que mais vai ter? “Conhecimento compartilhado acompanhado de boa comida”. 

SERVIÇO:
Jantar-palestra “Os antecedentes da Cabanagem”
Local: Casa Iacitatá Amazônia Viva
Endereço: Travessa Benjamin Costant, 609, entre as ruas Aristides Lobo e Ó de Almeida, Reduto.
Inscrições: R$ 50
Contato: (91) 9 8254-0882 / (91) 9 9359-8451

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