Aos mestres, com carinho

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Laureados no nome, os mestres e mestras de carimbó são figuras quases invisíveis na cultura paraense. O XIII Festival de Carimbó de Santarém Novo é uma chance de conhecer e aprender com os rostos, mãos e vozes por trás do pau e corda.
Diz pra gente: qual o seu mestre ou mestra de carimbó preferido? Ah, e que esteja vivo, não vale citar os eternos Cupijó, Lucindo ou Verequete. Se sua resposta foi um grande silêncio, você infelizmente não está sozinho. O carimbó ganhou status de patrimônio cultural brasileiro, sendo enfim reconhecido pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artísitico Nacional) em 2014, e é citado frequentemente como influência de artistas (pós) modernos e bandas alternativas do Pará e afora. Porém, aqueles que, contra as dificuldades de se viver do e para o batuque, trouxeram essa tradição até a atualidade permanecem em sua maioria nas sombras.

Representantes de um patrimônio cultural brasileiro, grupos e mestres de carimbó são pouco conhecidos. Na foto, o grupo de “Quentes da Madrugada” de Santarém Novo

Quem professa a arte sabe, carimbó se faz no embalo coletivo de instrumentos, palmas e pés descalços no chão. Os que se destacam do movimento geral e recebem o título honroso de “mestre” ou “mestra” são homens e mulheres que estão nessa há uma vida inteira e já puxaram muita gente pra dentro da roda. Músicos, cantores, compositores e artesãos, referências de uma expressão cultural. São algumas dessas figuras que o XIII Festival de Carimbó de Santarém Novo (Fest Rimbó) está trazendo a Belém nesse fim de semana para o encontro com um público que ainda está para os conhecer. 

Queremos que as pessoas se sintam instigadas a vir a Santarém Novo e ver de perto a riqueza do carimbó que vamos mostrar

Pela primeira vez em treze anos, o festival se estende à capital do Estado. “A ideia é ampliar o alcance do evento e promover a interação com o público da capital a esses artistas e dar mais visibilidade a eles”, explica Isaac Loureiro, um dos organizadores do Fest Rimbó. “Queremos que as pessoas de lá se sintam instigadas a vir a Santarém Novo e ver de perto a riqueza do carimbó que vamos mostrar”. Os shows, rodas de conversa e oficinas acontecem no espaço Sesc Boulevard, bairro da Campina, nos dias 11, 12 e 13 de dezembro, antecedendo em uma semana a programação no município do nordeste paraense. Confira aqui a agenda completa do XIII Festival de Carimbó de Santarém Novo.








Mestre João Cabeção de Santarém Novo (PA) é um entre os centenas de mestres que carregam a tradição do carimbó

Isaac considera que as oficinas de  melhores oportunidades de troca e contato direto com os mestres. “O carimbó é muito mais do que se vê no palco ou na hora da roda. Esse foi um momento pensado para que nossos mestres façam o que sabem de melhor: compartilhar suas experiências”, afirma. Vão ser duas oficinas dedicadas ao carimbó: “Confecção de instrumentos artesanais” com Mestre Sabá na sábado (12), e no domingo (13) “Percussão e batuque” com Mestre Dico Boi, ambos sumidades nos seus respectivos ofícios em Santarém Novo. Além deles, na sexta (11), vai ter oficina de duas folias tradicionais de Roraima, o lindô e a reisada, conduzida por Mestre Zé Viola  e Dona Lurdes. As inscrições vão até essa quinta-feira no próprio Sesc Boulevard e não custam nada, mas as vagas são limitadas, então corre para conhecer e aprender com as mãos, vozes e rostos por trás do pau e corda. 

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