Fechamento de turmas

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A Secretaria de Estado de Educação (Seduc) segue encerrando turmas e turnos de escolas paraenses. Já há um indicativo para ainda mais fechamentos no ano de 2016.     

A chamada reorganização do ensino, que pretende fechar escolas em São Paulo, também acontece, gradualmente, em Belém. Na capital paraense, o governo do Estado fecha turnos e turmas, sobretudo da Educação de Jovens e Adultos (EJA), redistribuindo alunos para unidades mais distantes de suas casas. Silenciosamente, o governo do Pará realiza a sua reorganização em busca de cortes dos gastos no setor público. Tal qual em São Paulo, estudantes paraenses reagem com assembleias, panfletagem e protestos de rua. 

 “O discurso adotado, principalmente pelos diretores e gestores, é que a baixa demanda de alunos em alguns turnos força uma redistribuição, evitando salas ociosas e consequentemente o fechamento total das unidades de ensino. Não é uma política educacional como está ocorrendo em São Paulo. Contudo a tendência é essa aqui no estado”, conta D.B, professor concursado da Secretaria de Estado de Educação do Pará (Seduc), que preferiu não se identificar para evitar retaliações.

Somente na semana passada, ocorreram duas manifestações de alunos contra a medida, uma no bairro da Cabanagem e, outra, na Cidade Velha. 

Os alunos reagiram. Somente na semana passada, ocorreram duas manifestações de alunos contra a medida, uma no bairro da Cabanagem e, outra, na Cidade Velha. Os estudantes pediam, além da manutenção dos turnos da noite, melhoria na estrutura física dos colégios, um problema enfrentado em quase todas as unidades de ensino do Estado. “Em uma escola na qual trabalho, a sala tem ventilador, mas não tem a fiação elétrica e, como a cobertura é de telhas Brasílit, no horário da tarde dá para ‘assar um porco’ dentro de sala”, comenta A.M.U, professora em unidades de Belém e Ananindeua, que também preferiu o anonimato.

REAÇÃO

Outras unidades de ensino também já se posicionaram sobre o assunto, é o que afirma Williams Silva, coordenador da secretaria de comunicação do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará (Sintepp). “As escolas estão se organizando para evitar o reordenamento. Nem todas fizeram atos, algumas fizeram só assembleia, mas algum tipo de mobilização há”, afirma Williams. “Por exemplo, na escola Tiradentes II, os alunos encheram de cartaz pela escola com frases contra o reordenamento. No Serra Freire, foi panfletagem. Já no Raposo, abaixo-assinado; no Brigadeiro, foi assembleia; no Cônego, foi ato e assim vai.”

“A tendência é enxugarem os turnos da noite, reduzindo carga horária de professor e limitando programas como o EJA (Educação para Jovens e Adultos)”, afirmou D.B.

O fechamento de turnos não é uma exclusividade de escolas localizadas na periferia. Outras unidades tradicionais como o Colégio Paes de Carvalho também já receberam o indicativo de que o turno da noite, não funcionará em 2016. “A tendência é enxugarem os turnos da noite, reduzindo carga horária de professor e limitando programas como o EJA (Educação para Jovens e Adultos)”, afirmou o professor D.B.

Ele lembra, ainda, que usar a evasão escolar como desculpa para o encerramento das turmas não passa de uma estratégia politico-financeira da Seduc. “Isso tudo é desculpa do governo do Estado. A realidade é sucateamento, redução de carga-horária de professores e técnicos, fechamento de escolas. Tudo uma tentativa de ‘enxugar’ a secretaria que tem maior quantidade de funcionários no Estado”, completa D.B.

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará (Sintepp), todas as escolas do estado receberam, no início do ano, um documento da Seduc contendo um direcionamento para que turmas que não alcançassem certo quantitativo de alunos fossem reagrupadas e direcionadas para outras unidades de ensino. “Para nós, o reagrupamento dessas turmas significa, em primeiro lugar, o risco de superlotação em algumas unidades e, depois, a perda de carga-horária de trabalho por boa parte dos professores, o que significa redução salarial”, afirmou Williams Silva, coordenador da secretaria de comunicação do Sintepp.

LISTA

O sindicato afirma, ainda, que existem pelo menos 22 unidades já com indicativo de fechamento de turmas para o ano que vem, sendo que uma delas já enfrenta o risco de fechamento total da escola. Em Belém, está a Associação de Moradores da Terra Firme, Escola Estadual Mateus do Carmo, Escola Estadual Augusto Olímpio Emaús e Cônego Batista Campos. Já no distrito de Icoaraci, a Escola Estadual Serra Freire, as escolas estaduais Poranga Jucá, Brigadeiro Fonteneles, Mateus do Carmo, Virgílio Libonati, Augusto Olímpio, Celso Malcher, Acácio Sobral, Serra Freire, Orlando Bitar, Tiradentes II, Costa e Silva, Cônego Leitão. Em Ananindeua- Madre Celeste, Nedaulino Viana, Rosa Mística (fechar a escola), Eneida de Morais. 

Na próxima sexta-feira (11), o Sintepp organiza uma audiência pública para debater o reordenamento das escolas no Pará. O evento será no auditório João Batista, na Assembléia Legislativa do Pará (Alepa), às 14h. “Nossa intenção é alertar a sociedade civil antes do inicio do ano letivo de 2016, que é quando essas definições começam a valer e já serão irreversíveis” finaliza Williams. 

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