Igreja de Santana

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Um passeio pela cidade, um olhar atento e um bate-papo são nosso convite para conhecer a história e algumas histórias da Igreja de Santana.

Sempre que eu almoço aqui perto dá vontade de entrar. Não é bonita? Olhando assim de fora é bonita, sim, cheia de detalhes, de miudezas. Eu sempre pergunto pra minha filha como é que o pessoal fazia essas coisas tão cheias de detalhes? Mas toda vez que eu passo aqui essa igreja está de porta fechada. Essa foi construída pelo Antonio Landi, aquele italiano que morou metade da vida aqui. Tanto é que essa rua aqui, a Manoel Barata, tinha o nome dele: era rua do Landi, que ficou no lugar do nome antigo, rua dos Mercadores. Era um cara bom esse Landi, pra desenhar e pra fazer dinheiro.



Ele tem várias construções aqui em Belém: tem o palácio Lauro Sodré, tem uma parte da igreja da Sé, umas casas, a igrejinha de São João Batista. O Landi veio pra cá a trabalho numa comissão de demarcação de fronteira, ainda em 1700 e pouco. Faz tempo… Trabalhou pra Portugal e foi ficando, ficando.1 Sempre que eu rodo por aí eu vou lembrando: ah, essa aqui é do Landi, daquela ali, só parte é dele. É bom saber dessas coisas pra puxar assunto com passageiro. Pessoal gosta. Ele fez obra pra caramba por aí, mas essa aqui pessoal diz que foi a melhor.

Eu não sei se abre só em dia de missa ou só quando tem alguém importante. Mas uma igreja dessas é tipo um museu, né? 

Ao que parece, ele era devoto de Nossa Senhora Santana. Aí construiu essa igreja, inclusive com o dinheiro e com os escravos dele mesmo. Também ele não era liso. Ele tinha essas obras pros padres, coisas pro governo, mas também tinha outros empreendimentos. Diz que até olaria ele tinha. Agora imagina a igreja sem essas duas torres. Fica melhor? Por dentro, o teto parece o céu! É que a construção original não tinha essas torres, só tinha a cúpula.2 Foi depois que o pessoal alterou e colocou as torres, pra ficar parecido com as outras igrejas do Brasil.




Igreja de Santana – “Ele fez obra pra caramba por aí, mas essa aqui o pessoal diz que foi a melhor.”

Foi, foi até que a igreja tava que desabava, lá pelos idos de 2000. Ninguém liga. Aí quando o negócio está que não se aguenta, começa a correria. Essa foi uma igreja já feita com pedra e cal, já bem sólida pra época, mas sem cuidado foi se desfazendo… Mas enfim fecharam o lugar pra reforma. Pense num reforma, parecia que tavam levantando outra no lugar. Eu soube que até teve uma porrada por causa dessas torres. Porque uns diziam que o original era sem torres. Outros, que as torres já faziam parte da igreja. Aí ganhou o pessoal das torres. E ficou assim.

Quando eu pego turista, até penso em dizer assim: ei, vai lá naquela igreja, é bem bonita e não-sei-o-quê. Mas toda vez que eu passo por aqui está sempre fechada. Eu não sei se abre só em dia de missa ou só quando tem alguém importante. Mas uma igreja dessas é tipo um museu, né? Acho que nem dos padres devia ser mais. Não é um negócio público? Podia ser assim: trazia os alunos pra visitar, pessoal da escola pública, com professor explicando quem é quem aí dentro. O que custa? Aí era tipo uma visita pro Landi porque parece que, quando ele morreu, foi sepultado aí dentro!

Ilustração: Marri Smith
Foto: Kleyton Silva

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