Viada Cultural

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Em meio a repressões, preconceitos e muita festa,
a Viada Cultural comemorou um ano de sucesso na noite drag de Belém. Em novo
local, a 9º edição espera ganhar força. 
O antigo casarão, quase de esquina em uma rua do bairro da Campina, está na penumbra, a frente banhada da chuva que acabou de cair. Dali há poucas horas, o cenário muda: cômodos se iluminam e portas abertas para receber algumas das drag queens mais babadeiras, glamourosas e baphônicas de Belém do Pará. É a Viada Cultural, festa que junta a população LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) na cidade.

A Viada está de berço. Faz um ano que o ator Allan Jones e a publicitária Karllana Cordovil botaram a ideia em prática. “Foi na época da Virada Cultural em Belém. Pensamos então em fazer a ‘Viada’, a nossa festa pras drag queens”, diz Allan. Por 8 edições, a Viada Cultural reinou no 8 Bar&Bistrô feliz e desimpedida. Bem, ou quase isso. “Como em toda festa que tinha no 8, uma hora a polícia aparecia para encerrar as atividades, mesmo que estivéssemos dentro das normas de som e horário”, lembra.

As repressões não partiam somente da força policial. Allan relembra o relato do também ator e organizador da Viada Enoque Paulino que, todo preparado na indumentária drag queen, foi agredido com um ovo à caminho da festa. “Ao chegar em frente ao bar e ver todo mundo montado, pra ele o que aconteceu foi mínimo diante da grandeza daquela cena”, afirma. 

“Drag não é só alegria, glamour, é uma arte politizada que debate gênero”

As reações adversas vinham também de uma porção da vizinhança do 8, que travou uma relação de (zero) amor e (bastante) ódio com o estabelecimento desde que ele se fez notar no mesma Campina três anos atrás. Por ser um ponto de expressões culturais alternativas e periféricas bem no centro da cidade, o bar enfrentou os assédios de uma onda conservadora, a prisão arbitrária de seus donos (incluindo Karllana), até que fechou suas portas, em outubro desse ano. Junto com seus frequentadores, a Viada Cultural ficou sem lar.

Por isso que, para Allan Jones e os adeptos da festa, a noite de hoje é a celebração de uma continuidade e de um recomeço. A Viada se mudou para alguns quarteirões a frente e faz morada no Dirigível Coletivo de Teatro, o casarão do início da matéria. É lá que vai ser ouvida, em bom som, e vista em salto, cores e brilho uma parte do público drag queen. 
A Viada completou um ano, se consolidando como um espaço de provocação ao debate sobre temas ligados a comunidade LGBT.
A mensagem vem em tom festivo, mas é contundente: um discurso político contra a homofobia e que coloca em pauta questões de gênero e identidade. “Drag não é só alegria, glamour, é uma arte politizada que debate gênero”, afirma Allan, “Drag queen é imagem e comportamento e transmite a ideia que todos podem ter a imagem o comportamento que quiserem, dentro da liberdade de cada um, e que isso deve ser respeitado”, continua enquanto se prepara para a agitação de logo mais, quando se aparecerá como a poderosa Flores Astrais. 

Flores nasceu em 2014, junto com a Viada Cultural edição número um. Antes dela, havia Betty Kabet, a primeira montação do ator. “Só que a Betty era uma personagem de teatro, não uma drag queen”, diferencia. “A drag se faz na noite, no ambiente da festa, e é uma parte do próprio eu, uma externalização de algo que existe em você”.



“A drag se faz na noite, no ambiente da festa, e é uma parte do próprio eu, uma externalização de algo que existe em você”.

Allan Jones faz o convite para a 9º edição da Viada Cultural. “É um espaço gratuito e aberto a todos, drag queens ou não”, diz. “Esse não é o momento de pararmos, pelo contrário, a Viada tem que continuar”. O Dirigível Coletivo de Teatro, nova sede da Viada, fica na Travessa Padre Prudêncio, 731. A festa começou às 20h. Para saber mais, visite a página do evento da Viada Cultural.

Fotos: Rafael Monteiro e divulgação

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