Enquanto a ponte não despenca (De vez)

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Ribeirinhos, passageiros e comerciantes do Porto do Açaí convivem com uma “tragédia anunciada”, o trapiche do local está prestes a cair e só o que eles têm são promessas de eleições.

Segundo maior entreposto de Belém. Único porto 24h da cidade. Os títulos que descrevem o Porto do Açaí, no bairro do Jurunas, inspiram grandiosidade e imponência, porém nem de longe espelham a verdadeira realidade de infraestrutura do local.

Lixo, buracos, falta de segurança e um trapiche prestes a cair fazem parte do dia a dia dos quase 4 mil frequentadores do espaço. “Isso sempre foi desse jeito aí. Deveria ter uma estrutura pra que a venda fosse mais organizada”, relata Elton José, transportador que trabalha há oito anos no local.

O Porto do Açaí  funciona 24h por dia, durante três feiras diárias, a primeira começa no início da madrugada e vai até às 8h, vendendo o açaí que chega de Muaná, São Sebastião da Boa Vista, e parte do açaí das ilhas de Belém; logo depois, segue-se a segunda feira, de 9h às 11h, vendendo o fruto das outras ilhas da capital e de localidades próximas; por fim a terceira, das 16h até o inicio da feira da madrugada. “Daqui o açaí sai para toda cidade. Vai principalmente para os pontos internos”, explica Elton.
























O Porto do Açaí é a porta de entrada da cidade para ribeirinhos e comerciantes. (Foto: Rafael Monteiro)

O local recebe além de açaí, carvão, farinha e diversas frutas regionais. Tem, ainda, uma intensa movimentação de passageiros. Segundo a Associação de Trabalhadores do Porto do Açaí, 80% do público frequentador do porto são ribeirinhos que utilizam a feira para vender suas safras de açaí e outras frutas, além daqueles que desembarcam para fazer exames médicos na capital ou trazem os filhos para estudar na cidade.

“Só fazem reforma de quatro em quatro anos, quando muda o prefeito. Mas isso tá sempre abandonado e cheio de lixo”

Ele é centro de diversas reivindicações há anos, chegou a sofrer ameça de fechamento em 2009, quando o então prefeito de Belém, Duciomar Costa, anunciou o projeto do Portal da Amazônia que criaria uma orla em frente a cidade e retiraria o trapiche do Porto do Açaí.

Algum tempo depois a prefeitura voltou atrás e incluiu a reforma e a construção de um novo trapiche no projeto da orla, mas até hoje a obra não foi iniciada. “Só fazem reforma de quatro em quatro anos, quando muda o prefeito. Mas isso tá sempre abandonado e cheio de lixo” comenta, Seu Tomé Bastos, vendedor de lanches e cerveja há 20 anos no Porto.

























Enquanto as obras não iniciam, as pessoas são submetidas a circular num local sem segurança e infraestrutura adequada. (Foto: Rafael Monteiro)

Em 2013, o trapiche do porto sofreu um debamento parcial. “Arriou um lado no ano retrasado. Um monte de gente ficou ferida”, conta Manuel – mais conhecido como Careca – trabalhador do Porto há doze anos.

No ano seguinte, a Secretária de Urbanismo de Belém (Seurb) anunciou um projeto para restauração do local. A obra, segundo eles, ficaria pronta ainda em 2014, mas findando o ano de 2015, não há nenhuma licitação anunciada no site da secretaria que faça menção às obras no local.

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