O Bar do Parque vai virar livro

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O fotógrafo Bruno Pellerin reúne imagens da sua paixão em “Bar do Parque – um lugar no coração da Amazônia”

Bruno Pellerin esperava em seu escritório. É assim que ele chama o quadrilátero de pedras portuguesas e mesinhas verdes de ferro do Bar do Parque. “As minhas reuniões de trabalho eu marco aqui”, comenta. Recostado na cadeira, cigarro numa mão e um copo de água com gás na outra (é muito cedo para a habitual cerveja), Bruno está em casa. Chama os garçons com familiaridade e cumprimenta os passantes e os raros frequentadores que se aventuram pelo bar às 9h. Em uma manhã de dezembro, o fotógrafo francês recebeu a reportagem do Outros400 para falar da paixão por esse lugar, que virou personagem principal de um livro de fotos e poesias com lançamento para 2016.




Casa, escritório, paixão: desde que se mudou para Belém, há 8 anos, o fotógrafo Bruno Pellerin se tornou um dos frequentadores mais assíduos do Bar do Parque

O amor veio logo de cara, na primeira viagem a Belém, em 2003. Depois de vários anos de serviços prestados ao mundo da moda, enquadrando modelos e coleções de grandes estilistas, como Jean Paul Gaultier e Givenchy, ele saiu pelo mundo até aportar na Amazônia. O Bar do Parque foi uma das visões que o fizeram parar por aqui. “Não há outro lugar como esse”, diz. Há oito anos, ele mora em um apartamento na Avenida Presidente Vargas, há poucos metros do quiosque da virada do século XX com inspiração da art noveau e outras arquiteturas, símbolo do bar.

Desde então, já foram mais de 5.000 fotos dedicadas aos funcionários, clientela e, principalmente, à centenária construção ao lado do Teatro da Paz. Através das lentes de Bruno Pellerin se avistam pedintes, balconistas, hippies, pessoas cobertas de jornal dormindo nos bancos que cercam o bar e artistas de rua. Também muitos poetas, cantores e músicos – amigos que o fotógrafo fez na cidade e posaram para ele. Todo o universo que faz o Bar do Parque.
Bruno escolheu algumas dessas imagens para criar “Bar do Parque – um lugar no coração da Amazônia”, publicação em português e francês. Emoldurando cada foto, os versos do poeta Ronaldo Franco escritos com inspiração na cena retratada. A ideia do autor é divulgar o espaço e, por consequência, Belém do Pará, para o mundo todo.



Para o fotógrafo, Bar do Parque é um espaço subestimado pela população da cidade

“Belém tem um conjunto belíssimo de monumentos históricos, cultura forte e viva, e outras qualidades para se ver, mas elas são muito pouco conhecidas lá fora”, afirma o fotógrafo. Junto com a “Brasileiros Sem Fronteiras”, uma rede que veicula e promove eventos inspirados na cultura brasileira, Bruno Pellerin planeja o lançamento do livro em Portugal e na França para o próximo ano.

Falam pra mim que o Bar do Parque é perigoso, que está entregue ao crime, mas é gente que nunca veio aqui ou faz tempo que não vêm. Elas precisam ver a beleza desse espaço e a necessidade de ocupar

Outra intenção do autor é ajudar a melhorar a imagem do Bar do Parque entre quem vive em Belém. “Falam pra mim que é perigoso, que está entregue ao crime, mas é gente que nunca veio aqui ou faz tempo que não vêm”, diz. “Elas precisam ver a beleza desse espaço e a necessidade de ocupar”. Por isso, ele marcou a estreia do livro, no dia 19 de janeiro de 2016, no próprio bar, objeto de sua admiração. “Vai ser um lançamento com música, poesia e fotos do Bar do Parque na década de 1980, período de grande agitação cultural, feitas pelo (fotógrafo) Miguel Chikaoka”, adianta.

“Bar do Parque – um lugar no coração da Amazônia” tem edição da Aliança Francesa Belém com tiragem inicial de mil exemplares. No endereço virtual Livro Bar do Parque, você encontra textos, imagens e mais informações sobre a obra.

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