Maquiagem 400

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Dia de festa, dia de maquiagem. Certo? Quando o assunto é política pública, é melhor que não seja. A PMB anuncia obras, mas oposição vê como uma máscara para os problemas.   

A Praça da República, em Belém (PA), um dos locais mais conhecidos e frequentados da cidade, começou a ter sua paisagem modificada a partir do dia 7 de dezembro de 2014. Naquela data, a Prefeitura Municipal de Belém (PMB) anunciou a reforma da praça, obra orçada em R$ 4.179.772, 87, que deverá realizar a restauração de dez monumentos, entre coretos e fontes. A ação é classificada como um dos “presentes” da atual gestão em razão do quarto centenário da cidade. Por outro lado, a oposição à atual gestão, na Câmara Municipal, considera que esta e outras obras fazem parte de um discurso publicitário e não de políticas públicas sérias. A população também reclama. Por que as obras foram anunciadas apenas no ano eleitoral?


As praças que deverão receber obras poderiam ter sido reformadas desde o início da gestão. A pergunta é: por que só agora? (Foto: Kleyton Silva)

No entendimento de vereadores da Câmara Municipal de Belém (CMB) que pertencem à bancada de oposição do parlamento, a Prefeitura chegará aos 400 anos da capital paraense sem nenhum projeto efetivo nos três eixos eleitos pelo próprio prefeito Zenaldo Coutinho (PSDB) como prioritários. São os três “s”: saúde, saneamento e segurança. O descompasso entre o discurso oficial e as ações da gestão pública durante três anos de mandato figuram como o principal motivo para o anúncio urgente de “presentes” a serem entregues durante o aniversário da capital paraense.

Para o vereador Cleber Rabelo (PSTU), “o que o Zenaldo está fazendo é uma maquiagem no centro da cidade”. 
 
A vereadora Sandra Batista (PCdoB) acredita que as ações anunciadas podem ser classificadas como simples reações da PMB a acontecimentos trágicos como o incêndio no prédio do Pronto Socorro Mário Pinotti, localizado na travessa 14 de março, ocorrido no dia 25 de junho do ano passado. “Ele [o prefeito] está fazendo obras premido pela necessidade. Será que seria construído outro pronto-socorro, como foi anunciado, se o prédio não tivesse pegado fogo?”, reflete a parlamentar.
 
Em relação ao “s” da saúde, a vereadora estende sua crítica a projetos incluídos no Plano Plurianual Municipal 2014-2017 (PPA), documento responsável pelo planejamento orçamentário do município que, segundo ela, não foram executados pela administração atual. “O prefeito não cumpriu a construção de um hospital de especialidade materno-infantil, que está estabelecido no PPA. Algo que seria de muita importância.”

Além da reforma, não seria uma boa hora para disciplinar o uso dos banheiros e de todo o aparelho público da praça para a população? (Foto: Kleyton Silva) 

Perguntado sobre a responsabilidade da Câmara Municipal no que diz respeito às políticas não executadas em Belém, o vereador Fernando Carneiro (PSOL) recorre ao papel de cada uma das instituições. Segundo ele, a responsabilidade de execução das obras, como o próprio nome diz, é do Executivo. “Quando digo que não atrapalhamos, me refiro ao fato de toda vez que é passado um projeto para a câmara nós fazemos nossa parte de forma crítica. A obra da Estrada Nova, por exemplo, nós estamos esperando uma planilha de custos que ainda não foi divulgada”, exemplifica.
 
A predominância de ações em bairros do centro, assunto já tratado pelo Portal Outros 400, é também uma questão discutida pelos parlamentares. Para o vereador Cleber Rabelo (PSTU), “o que o Zenaldo está fazendo é uma maquiagem no centro da cidade. A gente sabe que o que ele faz é passar asfalto na Doca, onde já tem”. “O projeto que fiz para restaurar as paradas de ônibus não foi aprovado. O resultado está aí nas ruas”, afirma o vereador. 

POPULAÇÃO

Dona Vilma Viana Trindade, técnica de enfermagem que trabalha como cuidadora do senhor Américo Augusto de Alencar, passeava próximo à Praça da República em uma manhã comum quando a encontramos enquanto fazíamos a reportagem. Em poucos instantes, constatamos sua dificuldade em manejar a cadeira de rodas de seu Américo. Mas, para ela, a periferia é, de fato, a região mais abandonada. “Aqui ainda tem calçada, pior é o Tenoné, onde minha filha mora. Lá, os ônibus são poucos e as ruas nem calçada têm”, relata. 

Mesmo com a instalação de tapumes na praça da República e no trapiche do distrito de Mosqueiro, que há pelo menos dois anos está aos pedaços, as obras não iniciaram efetivamente. As placas firmadas em frente às duas obras, com os respectivos valores e prazos, foram retiradas. A PMB anunciou recentemente a reforma de mais de 30 praças, dentre elas a praça do Conjunto Marex, praça do Carananduba e praça Matriz, na ilha de Mosqueiro, praça do Horto Municipal, praça do Jaú, na Sacramenta, e praça Dom Alberto Ramos, na Marambaia. A prefeitura de Belém foi contada para responder às denúncias, mas, até o fechamento desta matéria, não se manifestou. O questionamento de parlamentares e da população é o mesmo: será uma “maquiagem”? 








As dificuldades vividas por cadeirantes como Américo se 
espalham enquanto a cidade é preparada para a festa. 
(Foto: Kleyton Silva)

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