Periferia Atenta!

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Movimento Gueto 400 realiza programação na Praça da República com aula-pública e divulgação de manifesto. A periferia? Ela está atenta. E esse foi só o início de 2016.     

O dia 12 de janeiro de 1616 deve ser comemorado por todos os habitantes de Belém do Pará como uma data de muita alegria. Afinal de contas, foi a partir dela que nossa história teve seu início, correto? A resposta é não. Para os membros do movimento Gueto 400, o aniversário oficial de Belém deve ser encarado como um estímulo para pensarmos criticamente a formação histórica da cidade e seus problemas atuais e não como razão de festa. Estes foram os motivos que permearam a programação realizada hoje (11), pela manhã, no anfiteatro da Praça da República, onde ocorreram uma aula-pública, apresentações artísticas e a leitura coletiva do manifesto do movimento.



























Diversos coletivos e entidades políticas se fizeram presentes no ato e na aula-pública realizada, hoje, na Praça da República. (Foto: Moisés Sarraf)

O professor de história João Lúcio Mazzini da Costa, da Escola Pública Estadual Brigadeiro Fontenelle, deu início às atividades com a exposição de uma aula que enfatizou a questão da presença indígena em nosso território. “12 de janeiro é uma data que deve ser repudiada, pois ela representa o marco da derrota das sociedades indígenas que aqui viviam para o projeto colonizador europeu”, atentou. O historiador defendeu ainda uma postura combativa diante das programações de comemoração a serem realizadas na cidade. “O que nos traz aqui é a busca de um novo olhar para Belém, que considere, por exemplo, a revolta liderada pelo índio Guaimiaba contra a dominação portuguesa”, afirmou.

“12 de janeiro é uma data que deve ser repudiada, pois ela representa o marco da derrota das sociedades indígenas que aqui viviam para o projeto colonizador europeu”

Diversos coletivos políticos e entidade estiveram presentes, como a Faculdade de Comunicação da Universidade Federal do Pará (Facom/ UFPA), o movimento Rua e o coletivo estudantil periférico Asa de Urubu. Para Josi Alves, estudante do colégio Brigadeiro Fontenelle e membro do coletivo, o momento era importante por ser um espaço de expressão para a juventude de Belém que é marginalizada pela mídia. “Para muitos de nós, não é fácil estar aqui por conta da questão do transporte, mas viemos para levantar a voz da periferia e dizer que o jovem dos nossos bairros, como a Terra Firme, está todo dia estudando, trabalhando, lutando por sua sobrevivência”, demarcou. Enquanto conversávamos, o rapper Teólogo Mc, de Ananindeua, apresentava suas canções e fazia todos repetirem um refrão: “400 anos sob o olhar da mídia/ 400 danos sob o olhar do gueto”.

MANIFESTO

O movimento Gueto 400 nasceu há dez meses, por iniciativa do coletivo de mídia Tela Firme, e vem desenvolvendo reuniões e oficinas com temas voltados à periferia de Belém. Como resultado desses encontros, foi produzido um manifesto que defende a importância das populações dos bairros periféricos para a construção de uma outra cidade, onde a violência policial e doméstica não sejam mais acontecimentos cotidianos.



























A carta-manifesto tem o objetivo de mostrar à sociedade a realidade vivida pela população belenense. (Foto: Moisés Sarraf)

O texto trata de diversos temas, como a presença de Belém em péssimos lugares quando o assunto são as condições de vida. “Nossa juventude é cotidianamente exterminada, e segundo o índice de Homicídios na Adolescência (IHA), Belém é a 5ª capital com maior número de morte de adolescentes, e também é a 7ª colocada entre as capitais em números de crimes letais divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública”, informa o documento.

Para Francisco Batista, do Tela Firme, a leitura coletiva do manifesto é uma forma de “manter a chama acesa de mostrar as mazelas da cidade e continuar articulando os movimentos para lutar por outra Belém”. Segundo ele, o próximo ano continuará sendo de muito trabalho e organização.

Ao final do ato, o grito da periferia deixou uma mensagem clara: essa foi apenas a primeira ação de 2016. (Foto: Moisés Sarraf)

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