Carnaval de Rua

Compartilhe

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on telegram
Telegram

O carnaval de Belém possui uma história cheia de mudanças. Da farra no bairro do Comércio até os blocos que desfilam na Cidade Velha hoje, a festa de rua é um símbolo para pensarmos o modelo de cidade que queremos.


Dia desses os meninos vieram me convidar pra dar uma volta nos blocos lá na Cidade Velha. Quase que eu digo pra eles: rapaz, eu sou do tempo da festa na presidente Vargas, eu não sei mais o que é carnaval? Esse carnaval é aquele que o Elói praticamente carregou sozinho por um tempo, não é? Aquele, sim, merecia um prêmio porque apanha, apanha e não aprende: continua fazendo a Festa da Chiquita, o carnaval de bloco em fevereiro, festa junina. Mas não é o que eu digo? Depois o pessoal aqui de casa diz que eu tô velho, mas Belém já teve o melhor carnaval do Brasil! 


Eu lembro que quando chegava fevereiro era aquela papagaiada com o pessoal lá da rua que se reunia pra fazer fantasia, comprar urucum e essas coisas de bloco de sujos que atravessava a cidade. Esse abadá que o pessoal usa dá até raiva hoje! É gente que não sabe o que é festa mesmo, uma farra boa. Teve uma vez que eu peguei um porre de lança perfume lá na presidente Vargas que fiquei um dia inteiro ruim. Não é bandalheira! Se perguntar pra um frangote desses, capaz de nem saber o que é urucum.


Dizia o meu pai que no tempo dele a festa era lá na João Alfredo, no Comércio. Conhece? Tinha de tudo. Tudo mesmo! Era o tempo dos chamados bailes de máscaras. Tenho pra mim que aquilo que devia ser brincadeira boa porque se tivesse uma briguinha o pessoal resolvia tudo na mão, ninguém pegava em faca. E mesmo porque, tinha droga, mas não era que nem hoje. Sei que tinha até cobertura do pessoal da rádio, que ia lá, transmitia ao vivo. Era a Clube e a Marajoara na disputa. Era sim, senhor! Disso eu lembro. Depois aquela rua deve ter ficado pequena pra aquele mundo de gente.


Eu vi que teve mais blocos esse ano lá na Cidade Velha. A gente já sabe que em Belém todo mundo vai pular o carnaval do interior. Então, investe nesses gritos de carnaval, não é bom?


Foi por esse tempo que começaram os desfiles das escolas de samba daqui, sem perder em nada pro Rio de Janeiro. Eu sei que desde que eu me entendo por gente que tem o Rancho, mas eu ia mesmo era lá no barracão da Arco Íris, que era minha escola do coração, no Guamá. Nesses anos, eu acho que lá pela década de 80, a gente viu o carnaval crescer no Rio com todo aquele investimento, gente de fora indo pra lá, gringo, coisa nova chegando. A festa continuou e não parou até hoje nas ruas de Recife e Olinda. E enquanto isso o carnaval daqui foi virando palhaçada.


Palco dos carnavais do passado, na rua João Alfredo, as cores dos foliões são encontradas apenas nas mercadorias dos ambulantes


Eu vi que teve mais blocos esse ano lá na Cidade Velha. A gente já sabe que em Belém todo mundo vai pular o carnaval do interior. Então, investe nesses gritos de carnaval, não é bom? É sério. Seríssimo! Investe no carnaval de rua pra não deixar essa história de abadá pegar na Cidade Velha. Já pensou em corda de isolamento e trio elétrico? Aí era uma boa solução pra acabar de vez com os prédios que ninguém cuida mesmo. Investe, que então a nossa cidade, essa coisa bonita, não ia ser mais a Cidade das Mangueiras, porque já deu disso. Ia ser Belém: a Cidade do Carnaval antes do Carnaval.


Ilustração: Marri Smith

Foto: Kleyton Silva

Continue lendo...

Mangueirão

O Mangueirão é um grande personagem da história do futebol paraense. Não há torcedor que não guarde uma memória do estádio. O problema é o

Ver-o-Peso

Belém discute a nova reforma do Ver-o-Peso. Mas, assim como no passado, trabalhadores e população questionam o projeto para o local, e se perguntam se

Maria Fumaça

A Estrada de Ferro Belém-Bragança foi uma importante via de transporte para muitos municípios paraenses. Hoje, além de construções antigas, o que restou dessa história

Transporte Fluvial

O transporte fluvial público em Belém não é um tema recente. A diferença é que no passado os projetos não eram tão ineficientes como agora.