Porto de Mosqueiro

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A construção de um porto que atenda passageiros e cargas é uma reivindicação antiga da população de Mosqueiro. Mas moradores alertam: a instalação só interessa se o povo for a prioridade.
 
A situação do transporte público em Belém pode ser considerada, sem sombra de dúvidas, como uma questão bastante preocupante. Vias congestionadas, coletivos lotados e sucateados e ruas esburacadas são apenas alguns dos problemas encontrados. E se isso já causa transtornos para quem mora no centro da cidade, para população de outras áreas, como do distrito de Mosqueiro, a situação é quase de isolamento. Uma saída – até óbvia, considerando a geografia da cidade – seria o investimento no transporte fluvial, medida que começou a ser novamente planejada em 2016. Mas os recentes casos não bem sucedidos, como a lancha entre Icoaraci e o Ver-o-Peso, levantam a questão: será que isso pode dar certo?

 As obras da instalação portuária iniciaram em janeiro deste ano. Quando acabarem, o resultado será positivo?

No dia 21 de janeiro deste ano, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) iniciou as obras de construção da Instalação Portuária de Pequeno Porte de Mosqueiro, projeto orçado em R$ 4,6 milhões para a criação de um terminal de passageiros e transporte de cargas. O principal objetivo do projeto, segundo o órgão, é retomar o transporte regular de passageiros para a ilha. Após concluída, a obra será administrada pela prefeitura de Belém, que também ficou responsável pelo remanejamento de comerciantes que atuam no local das obras.
 
A volta do transporte regular para Mosqueiro é uma reivindicação antiga dos moradores. Além de diminuir o percurso, normalmente feito pela rodovia BR-316 e cortando os municípios de Benevides, Marituba e Ananindeua antes de chegar à Belém, a medida ajudaria as comunidades ribeirinhas da região.
 
“O turismo é bom, dá dinheiro, mas essa obra tem que ser voltada pra atender principalmente o povo, e não quem vem de fora”.
 
“Discutir a necessidade de um transporte fluvial em Mosqueiro nem faz sentido. É uma realidade gritante. Quem precisa ir para o centro todo dia, ou mesmo só vez ou outra, não pode depender de ônibus. Demoram para passar, pegam a BR engarrafada, atrasam. Não dá pra viver assim”, afirmou Nelma Rosa, diretora de uma associação de moradores do distrito. “Para os ribeirinhos, então, um porto é mais importante. O isolamento geográfico é maior, é necessário um ponto para escoar a produção, um transporte para levar os filhos para a escolas, ir para o médico. Pra viver mesmo”.
 
Apesar de reconhecer a necessidade da comunidade em ter novamente o transporte regular, Nelma avalia a nova obra na ilha como preocupante. “A gente quer o transporte, claro, mas temos que ver o que está sendo feito. Primeiro, nunca vi um remanejamento de comércio que desse certo pro trabalhador. Muita gente perde o trabalho, quem arranja espaço não consegue vender mais…”, afirma. “E vamos ver o como vai ser o transporte de passageiro. Horários, condições das embarcações, preços. O turismo é bom, dá dinheiro, mas essa obra tem que ser voltada pra atender principalmente o povo, e não quem vem de fora”. 

 Não só os moradores do distrito precisam de um transporte fluvial regular, mas também os ribeirinhos de comunidades próximas, que necessitam ainda de um porto para escoar a produção.

O pensamento da moradora de mosqueiro não é sem sentido. É difícil não relacionar a nova instalação portuária com a recente tentativa de um transporte de passageiros entre o Terminal Hidroviário de Belém, ao lado do Ver-o-Peso, com o distrito de Icoaraci, que conta atualmente com duas saídas: a rodovia Arthur Bernardes, estreita pista com pontos em que o limite de velocidade é de 40 km/h, e a avenida Augusto Montenegro, atualmente tomada pelas obras da pista do BRT.
 
“A população tem que se organizar pra conseguir um transporte público que seja pro público mesmo. Se é pra ninguém usar, melhor investir em outra coisa, né?”.
 
O serviço foi alvo de críticas da população desde o primeiro dia. Com apenas duas viagens, uma com saída de Icoaraci às 7h, e a outra com o caminho inverso às 17h, a lancha cobrava o valor de passagem à R$ 10 – mesmo preço cobrado em uma viagem para o município de Barcarena -, sem direito a gratuidade. A prefeitura chegou a anunciar que o transporte seria gratuito às quartas-feiras, mas o transporte foi suspenso após duas semanas de funcionamento, sem aviso prévio.
 
“Me diz que trabalhador pode sair de casa às 7h pro trabalho e vai estar às 17h no porto pra voltar pra casa? Ainda mais pagando R$ 10? E isso porque era em Icoaraci, pertinho do centro. E se inventam um projeto desse pra Mosqueiro? R$ 30 reais de passagem? Esse pessoal só quer fazer obra pra ganhar voto, pra gente rica”, completa Nelma. “A população tem que se organizar pra conseguir um transporte público que seja pro público mesmo. Se é pra ninguém usar, melhor investir em outra coisa, né?”.

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