Aprovado?

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A prefeitura de Belém comemora uma vitória que não existe. Praticamente a metade dos feirantes do Ver-o-Peso se absteve de votar por falta de transparência no processo. 

O prefeito Zenaldo Coutinho começou a manhã desta quarta, 17, informando pela rádio a  vitória na enquete de ontem sobre a reforma no Ver-o-Peso. Aparentemente favorável à prefeitura, o resultado porém deixa muitas questões em aberto.


Com pouca divulgação e nenhum debate, a prefeitura conduziu a eleição na última terça-feira (16), no mercado do Ver-o-Peso. (FOTO: Kleyton Silva)

O primeiro ponto diz respeito à quantidade de participantes. Em um universo de 801 permissionários dos espaços da feira na lista da prefeitura, cerca de 50% não votou, a maioria alegando falta de conhecimento suficiente do projeto para de fato escolher entre “sim” e “não”.

Além disso, o conjunto estimado pela associação dos trabalhadores do Ver-o-Peso extrapola esse número: são 1.250 cadastrados. E, como pela dinâmica da feira há revezamento de pessoal num mesmo espaço, com atividades diversas em horários alternados, esse número pode alcançar, na prática, cinco mil pessoas.

Entre os votos da “população”, segundo as informações da prefeitura, foram 646 votos contra 357, num universo de 1,4 milhão de moradores de Belém e um contexto de pouca divulgação, bem como de debate ampliado sobre as posições favoráveis e contrárias ao atual projeto.

RESULTADO DA VOTAÇÃO
Permissionários
Total de permissionários aptos a votar: 801.
Total de votos: 421.
SIM: 213, NÃO: 204, NULOS: 04.
Abstenção: 47,44%.
População
Total de belenenses aptos a votar: 1,4 milhão
Total de votos: 1.019
SIM: 646, NÃO: 357, BRANCO: 11, NULOS: 05.
Abstenção: 99,92%

Ontem, ao conversar com feirantes que defendiam o “sim”, era comum ouvir como resposta: “votei a favor porque quero ver isso aqui bonito”.

Entre os feirantes que contestam o projeto da prefeitura, ninguém tem se mostrado contrário à realização de uma reforma e melhorias por todo o complexo. O que eles têm criticado sistematicamente é o modo como tudo está sendo proposto, com limitações nas informações veiculadas, no debate e nas próprias etapas de elaboração.

Além disso, apenas a área da feira central está contemplada, enquanto a Feira do Açaí, a Pedra do Peixe e o Solar da Beira permanecem à parte, sem informações sobre um plano integrado de mudanças junto ao que já foi anunciado até o momento.

É esse o efeito principal entre a escolha simplista do “sim” ou “não”: terminar por reduzir as chances de diálogo amplo e plural.

É esse o efeito principal entre a escolha simplista do “sim” ou “não”: terminar por reduzir as chances de diálogo amplo e plural, polarizando as posições como se o que estivesse em jogo fosse apenas a verdade (da prefeitura) contra a mentira (de toda a sociedade que critica a forma como o projeto está sendo imposto).

As respostas ficam assim limitadas ao bem contra o mal, o bonito contra o feio, o limpo contra o sujo. E toda a complexidade do assunto se resume a gostar ou não da proposta da prefeitura.

Dessa forma, aumentam também as pressões políticas sobre a análise da Superintendência Regional do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), na medida em que o governo municipal estará respaldado por um suposto apoio popular.

Quando se pode forjar o debate com uma votação improvisada, fica a questão: discutir pra quê?
(Publicação em parceria com o blog Ver-o-Veropeso)

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