Soledade

Compartilhe

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on telegram
Telegram
Um patrimônio tombado que parece prestes a tombar. Assim o cemitério da Soledade aguarda a obra de revitalização do espaço em um parque. Até quando esperar?

Mato alto – que em alguns pontos chega a superar os dois metros de altura – estruturas danificadas, túmulos quebrados, lama e precariedade.Essa é a realidade observada por quem passa nas proximidades ou frequenta o Soledade. Mas poderia não ser assim. Um plano de revitalização prevê a transformação do local em um cemitério-parque. Entretanto, o projeto está travado desde a década de 90, ainda sem previsão de início.

O cemitério da Soledade está amplamente ligada à história de Belém. O espaço começou a ser utilizado na primeira metade do Século XIX para sepultar escravos e pessoas de baixa renda, enquanto a população rica era enterrada nos terrenos das igrejas. Quando epidemias de cólera e febre amarela começaram a matar toda a população e os terrenos de igrejas lotaram, o cemitério passou a ser utilizado pela alta classe.


Quem frequenta o Soledade convive com lixo e o abandono do local.


“A inauguração oficial foi apenas em 1850, funcionando por 30 anos. Nesse período, Belém vivia o começo da Belle Époque, então quando o espaço começou a receber mortos da população de alta renda, recebeu investimento. Estrutura e túmulos foram projetados no estilo arquitetônico europeu, com influencia do romantismo”, afirma a historiadora Manoela Leal. “As peças presentes lá vieram de Portugal, Itália, França. Representam toda a cultura da época. Não é só um espaço bonito, é bastante importante para a história de Belém. Um patrimônio cultural e arquitetônico de valor inestimável”.

Não é só um espaço bonito, é bastante
importante para a história de Belém. Um patrimônio cultural e
arquitetônico de valor inestimável

Segundo uma pesquisa feita pela pesquisadora Paula Andrea Rodrigues no programa de mestrado do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) (http://portal.iphan.gov.br/), o local passou por um processo de degradação rápida após o fim das atividades, sendo inclusive alvo de projetos que visavam a derrubada da estrutura para o alargamento de vias e especulação imobiliária. Até que, em 1964, o cemitério foi tombado, o que deveria representar a sua preservação.

ABANDONO


A partir da década de 1990, prefeitura de Belém, Governo do Estado e Iphan começaram a discutir um projeto de transformar o local em um cemitério-parque, obra que incluiria a restauração de peças, revitalização do espaço e realização de atividades culturais, como visitas guiadas para contar a história do local. Cerca de 25 anos depois, o projeto mal está no papel.

O mato alto em alguns locais alcança até 2 metros de altura.


“Nos 27 anos em que trabalho aqui, vejo que o cemitério tem perdido frequentadores e ficado mais abandonado. Tem mato alto, lama, fica sujo. A prefeitura limpa mais quando é próximo do feriado de Finados, do Dia das Mães e coisa assim”, afirma o diácono Brito, que ministra as missas no cemitérios todas as segundas-feiras, dia reservado ao Culto das Almas, tradição popular de cultuar os mortos e almas milagreiras (http://www.outros400.com.br/).

“É claro que é ruim, os frequentadores reclamam. Mas não tem muito o que a gente possa fazer. Sou o diretor espiritual daqui, não o diretor do cemitério como espaço físico. A paróquia não pode arcar com a manutenção. Isso é trabalho da prefeitura”, concluiu o diácono.

Tem mato alto, lama, fica sujo. A prefeitura limpa mais quando é próximo do feriado de Finados, do Dia das Mães e coisa assim

Desde 2004, o Ministério Público Federal (MPF) acompanha a situação de abandono e degradação do cemitério, (http://srocha182.jusbrasil.com.br) inclusive já chegando a expedir uma recomendação à prefeitura para que uma revitalização urgente na capela para evitar o desabamento do imóvel. Segundo o órgão, em 2010 foi apresentado o plano da obra de revitalização do espaço, que deveria ser financiada pelo Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) – Cidades Históricas, mas em 2013 o projeto foi paralisado pois o governo municipal não podia receber as verbas devido à pendências com o Governo Federal.

No ano seguinte, o Iphan analisou o projeto elaborado por prefeitura e governo do Estado, devolvendo o documento com os pedidos de algumas adequações técnicas. Como se trata de um patrimônio tombado, o projeto deve estar de acordo com normas legais e orientações do Tribunal de Contas da União para que possa ser autorizado.


O projeto de revitalização data dos anos 90, até hoje não tem previsão de ser concluído.


Procurado pelo Outros 400, a Secretaria de Estado de Cultura se limitou a informar que “a Secult apenas realizou o projeto em parceria com a Prefeitura, mas o espaço, o cemitério é de responsabilidade da mesma, assim como todos os procedimentos”. A prefeitura também foi procurada, mas não se manifestou até o fechamento da reportagem.

Enquanto isso, o cemitério padece abandonado, aguardando o andar do processo de revitalização. Um quarto de século já se passou sem avanços. O cemitério centenário parece não ter mais tempo a esperar.

Continue lendo...

Guajajara

Sônia Guajajara foi recebida com um canto de saudação na sala da Associação dos Povos Indígenas Estudantes na Universidade Federal do Pará (APYEUFPA), na última