Ver-o-Peso

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Belém discute a nova reforma do Ver-o-Peso. Mas, assim como no passado, trabalhadores e população questionam o projeto para o local, e se perguntam se a obra vai mesmo ocorrer.

Fazer uma obra às três bicudas! É coisa que se faz quando tem ovo no mato. Ovo no mato, conhece? A galinha fica desconfiada, andando meio de lado e com um cacarejo assim, assim, como que escondendo alguma coisa fora do poleiro. É porque ela tá com ovo no mato. Pode anotar! Assim tá o negócio no Ver-o-Peso, que eu sei porque tenho 39 anos de feira, graças a Deus, sem nunca mexer nas coisas dos outros. E porque o lugar é o tal do cartão-postal. Eu vou dizer uma coisa: não vão destruir o Ver-o-peso pra construir shopping center, não! Isso é coisa de cantor chorão que passa a noite em barzinho riscando papel. Eu digo e repito que político nenhum ganha no Veropa. Pessoal devia saber. Começaram essa de projeto, discussão, eleição. Tudo às carreiras. Eu é que não to começando agora pra perder pra um porrinha desses.

A gente sabe quando o caboco conhece das coisas ou tá só dando uma de esperto logo de primeira. É conhecida a cara do sujeito. Anda por lá com uma câmera de penduricalho, faz cara de besta olhando pra bacuri. Eu vou te dizer o que esse povo sabe fazer: trocar o nome do Ver-o-Peso. É Ver-o-Queixo, Vê-lo-Preso, Ver-o-Caralho-a-Quatro. Acho é graça. Isso, sim, eles sabem fazer tão bem quanto o papagaio fala e o papudinho bebe. É igual aquela história de uma firma que veio aqui, colocou uns cara-branca anotando tudo, fazendo cara de susto pra cada besteira, que te contar, e dizendo que tudo é lindo e não-sei-quê. Depois fizeram uns perfumes pra fora. Mas o mal do esperto é pensar que todo mundo é otário.

Hoje, é certo que realmente tem umas
mudanças que seriam boas, que iam melhorar o trabalho até pra se receber
a clientela. Só que pela imagem que eu vi vão jogar o Ver-o-Peso em
baixo pra fazer outra coisa que eu não sei o que é. E a gente não sabe
onde vai ficar


Eu fui um dos que foi contra a primeira reforma, porque a gente sabe que não tem besta e ninguém faz as coisas de graça. Pessoal achava que iam tirar as barracas, que a gente não ia ter onde trabalhar, ou então deixar eles nuns cubículos. E tinha muita gente contra e por isso teve foi porrada. Porrada que eu digo nas discussões. Mas a gente foi ouvindo as histórias até que deu pra se acertar. Ficava era até tarde discutindo o que ia ter em cada paragem, em cada setor do complexo, como ia ser horário de funcionamento, onde a gente ia ficar no meio da reforma. Hoje, é certo que realmente tem umas mudanças que seriam boas, que iam melhorar o trabalho até pra se receber a clientela. Só que pela imagem que eu vi vão jogar o Ver-o-Peso em baixo pra fazer outra coisa que eu não sei o que é. E a gente não sabe onde vai ficar.


O mercado já passou por reformas no passado, também envoltas em discussão.


Uns dois anos atrás também veio um sujeito engomadinho aqui. Ele colocou um microfone, subiu num caixote e começou a dizer isso e aquilo. Apontou o dedo pra todo mundo, falou que a prefeitura tava fazendo as coisas certas pro Ver-o-Peso. Chegou do nada aqui, numa tarde de sexta. Aí, como um potoqueiro reconhece o outro, foi até que um cachaceiro gritou dali de trás que o secretário era um pilantra contando mentira. Mas pra quê! O homem bufou de raiva, ficou vermelho, deu uns pulinhos e gritou: pode prender. Veio a guarda municipal, foi aquele para-pra-acertar. Pá daqui, pá dilá, soltaram o homem. O secretário acabou o comício. E o pessoal continuou bebendo. Eu ainda acho que vai ser assim com essa reforma. O prefeito vai mandar correr pra um lado e pro outro, vai perseguir a vida dos outros e depois vai parar pela metade sem nem dizer o porquê.

Ilustração: Marri Smith
Foto: Kleyton Silva

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