Mangueirão

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O Mangueirão é um grande personagem da história do futebol paraense. Não há torcedor que não guarde uma memória do estádio. O problema é o tempo presente e o que andam fazendo com ele.

Pegar rimpada daquele chicote, eu já peguei, numa vez que acabou o ingresso e a torcida esmurrou o portão do Baenão até ceder, justo quando a polícia cavalgou pra cima da gente. Quantos desarranjos eu não tive comendo aquele cachorro quente velho que vendem no Mangueirão? Era o único, e não tinha jeito. E até Cerpa quente eu fui obrigado a beber porque era a cerveja credenciada e nenhuma outra podia ser vendida no campo? Agora, isso que estão fazendo no estádio agora, deixando ele se acabar daquele jeito, com os banheiros todos quebrados, aquele monte de entulho e lama no caminho pra entrar e um churrasco com arroz a dez paus, isso já é demais. Aí o pessoal não sabe o porquê de um Re-Pa que já deu pra mais de 50 mil pessoas agora num chega a vinte mil. Sessenta reais num ingresso?
Palco de muitas histórias, o Mangueirão está sendo deteriorado pela má administração

Uma senhora, que viveu muitos anos ali por perto de casa, contava que vendia refeição lá pela Augusto Montenegro, quando quase ninguém queria ir pra lá e o que mais tinha era invasão. Foi quando veio o anúncio da obra, que o coronel Alacid Nunes queria porque queria um estádio, tanto que colocou o próprio nome nele. Aí a vizinha bamburrou. Podia ir meio-dia lá que era aquele amontoeiro de peão, gente que só, cerveja e tudo, parecia um garimpo, te juro. Foi que foi e construíram o bicho, lá por mil novecentos e setenta e tantos. Construíram e não construíram. Nessa altura já tinha até apelido, que era o Mangueirão, mas a arquibancada não foi concluída, ficou como que pela metade do caminho, uma banda só. Daí o Bandola.

E Bandola ele ficou. Até lá pelos idos do ano dois mil, que eu lembro, quando o Almir disse que não aguentava mais ver o estádio daquele jeito, cortado ao meio, e prometeu um estádio olímpico. Acabaram com o apelido do estádio. Conheci um motora que, dizendo ele, trabalhou nessa reforma. Diz que a mão dele está lá, marcada numa parede, porque ele era operário da obra. Diz ele que o jogo inaugural não foi Re-Pa, não. Foi um jogo dos peões contra os peões, e ainda tinha os engenheiros pelo meio, e que era uma fila imensa pra entrar em campo.

E eu vi também o dia que diz-que o Paysandu ia dar uma peia no Boca Juniors, só porque ele já tinha ganhado lá dentro, mas acabou que pegou porrada

E por lá eu estive. Desde aquele Re-Pa em noventa e nove, no dia 11 de julho, que eu lembro bem, quando o Remo deu de um a zero. Foi o maior público, sessenta e cinco mil pessoas, e quase não tinha o jogo porque a arquibancada balançava e o pessoal pensava que ia cair com todo mundo. Balança, sim, até hoje. E eu vi também o dia que diz-que o Paysandu ia dar uma peia no Boca Juniors, só porque ele já tinha ganhado lá dentro, mas acabou que pegou porrada e eu andei com o pessoal do Mangueirão até o Entrocamento porque não tinha ônibus, que os motoras estavam de greve. Naquele dia parece que eram cinquenta e tantas mil pessoas. Pense num choro!
A falta de estrutura na cidade não atrai mais tantos torcedores
Aí um radialista disse que não sabia porque no último Re-Pa não deu nem vinte mil pessoas. Mas, rapaz! Não tem ônibus que preste pra chegar lá. A gente sai com medo de pegar uma pedrada desses torcedores doidos na rua. A Polícia bate em todo mundo no estádio, num pode ver um amontoeiro de gente. Não vende cerveja. E a cartolagem me coloca um ingresso a R$ 60? O pessoal passou a vida tirando dinheiro dos times, fazendo besteira na Justiça do Trabalho, agora querem que o besta aqui pague as contas deles. Muito obrigado!

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