Impeachment

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Com 367 deputados a favor e 137 contra, o Congresso aprovou o pedido de impedimento da presidenta Dilma Rousseff. Para a população belenense, há a esperança de melhorias, mas, também, a preocupação de que quem vai sofrer com todo esse jogo político, mais uma vez, é o povo.


17 de abril de 2016. Podia ser mais um domingo comum para tomar aquela cerveja no Ver-o-Peso, jogar uma pelada com os amigos ou comer aquele churrasco com a família. Mas não foi. Ontem, um pleno domingo, era dia de votação no Congresso. Algo incomum para os costumes do político brasileiro. Era dia de votar pela aceitação ou não do Processo de Impeachment da Presidenta da República do Brasil, Dilma Rousseff (PT). Todos estavam ligados na transmissão da votação como se fosse final de Copa do Mundo, seja em casa, seja nas ruas de Belém. Cada voto era comemorado ou rechaçado como se tivesse sofrido um “gol” do adversário. Mas, assim como na Copa, o que verdadeiramente muda na vida da população após o fim desse espetáculo?

Para ouvir os verdadeiros interessados por toda essa situação, o Outros400 foi às ruas e questionou, além da dicotomia em ser pró ou contra a abertura do impedimento da presidenta, “quais os impactos reais que esse processo trará para a vida de cada um?”; “haverá melhorias?”; “o que você acha que os deputados poderiam estar votando hoje, em favor da população?”



























Ângela espera que haja progresso e melhorias sociais com o impedimento da presidente Dilma

Na Avenida Visconde de Souza Franco, a Doca, o Portal conversou com Ângela, 58 anos, que trabalha como auxiliar administrativa. Ela foi às ruas hoje, porque acredita que esse momento é importante para o progresso do país e é a favor do impedimento de Dilma porque quer “tentar melhorar a situação de todo mundo”. Ângela espera que, com a saída da presidenta, o país possa “melhorar em educação, em alimentação, em saúde”, no entanto não sabe como isso pode ocorrer, só espera “que haja progresso”.

Ainda na Doca, o estudante de Direito, vestido com a camisa da seleção brasileira, Paulo Cardoso, 19 anos, diz que não se sente representado por nenhum partido político, mas é a favor do impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Para ele, “isso é o início de uma mudança que o Brasil quer”, embora o estudante não saiba, ainda, o que esse processo melhora ou não em sua vida.



























Rosemary aproveitou o domingo para aumentar a renda, mas acredita que só quem vem sofrendo com essa disputa é a população.

Aproveitando o embalo do ato na Doca, Rosemary, 42 anos, resolveu vender camisas e bandeiras do Brasil, que estavam “empatadas” em sua casa, para as pessoas que são a favor do impedimento da presidenta, com o objetivo de “ganhar uma renda, porque ta bem difícil”. A vendedora, que é moradora do Guamá, é contra a saída de Dilma da Presidência. Para ela, esse processo “é uma briga dos poderosos” e “qualquer outra pessoa que entre no poder, vai acontecer a mesma coisa”. Rosemary enfatiza, ainda, que “eles (os deputados) tinham era que fazer um Plano de Governo que o povo predominasse, porque quem ta sofrendo é o povo, não os empresários. É a população que verdadeiramente vem sofrendo com essa disputa toda”.

Acho que o governo que vem depois disso vai ser muito pior pra população, mesmo eu sendo leiga, não sabendo ler, eu sei disso, por tudo o que eu já vivi e tenho observado disso tudo

Em São Brás, Celina Lira, doméstica, 55 anos, desceu por acaso quando voltava de Outeiro. Ela disse que estava passando, quando viu toda essa movimentação e resolveu parar pra acompanhar a votação no telão instalado na Praça do Operário. Para Celina, a situação do país “não vai mudar nada se ela (Dilma) sair, tinha que deixar ela acabar o mandato dela e depois mudava o governo, se fosse o caso, mas eles não querem”. Caso aconteça o impeachment da presidenta, a doméstica avalia que “o povo que vai sofrer com tudo isso, tanto os que tão do lado dela,  quanto quem não ta, depois dessa confusão toda. Acho que o governo que vem depois disso vai ser muito pior pra população, mesmo eu sendo leiga, não sabendo ler, eu sei disso, por tudo o que eu já vivi e tenho observado disso tudo”.

O QUE ACONTECE AGORA?
Com a aprovação do Congresso ao pedido de abertura do impedimento da presidenta Dilma, com 367 deputados a favor,  137 deputados contra, 7 abstenções e 2 ausências, o processo segue para o Senado Federal avaliar o texto. O Senado tem até 10 dias para emitir um parecer para continuação ou não o processo. Caso decidam pela continuidade, deverá ocorrer uma votação no Plenário do Senado, que deve contar com o voto da maioria simples dos senadores, ou seja, 41 de 81 votos, para prosseguimento.

Caso o processo tenha a aprovação do Senado para a continuidade, a presidenta será afastada por 180 dias e o vice-presidente, Michel Temer (PMDB), assume, provisoriamente, a Presidência da República

Caso o processo tenha a aprovação do Senado para a continuidade, a presidenta será afastada por 180 dias e o vice-presidente, Michel Temer (PMDB), assume, provisoriamente, a Presidência da República. Após o processo instaurado, haverá o julgamento no Plenário do Senado, que, desta vez, será comandada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e exige que 54 dos 81 ou 2/3 dos senadores votem pela condenação da presidenta. Se Dilma for absolvida das acusações, ela reassume o mandato imediatamente. Caso ela venha a ser condenada, Michel Temer assume a presidência até o fim do mandato e, neste caso, Dilma fica impedida de exercer cargo público por oito anos.

As denúncias que embasam o processo contra a presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, são de crime de responsabilidade fiscal no gerenciamento das contas públicas em 2015 e a publicação de decretos de crédito suplementar para criar despesas extras sem autorização prévia do Congresso.

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