Paralisação estadual

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Servidores públicos do Estado do Pará decidem por paralisação de dois dias para a organização de uma greve geral. A decisão é uma reação à medida do governo do Estado que estabelece um corte no poder aquisitivo do trabalhador.

Insatisfação e organização política foram as expressões mais repetidas na manhã desta quinta-feira, 28, durante a assembleia geral unificada dos servidores públicos estaduais realizada no ginásio de educação física da Universidade Estadual do Pará (Uepa). Cerca de 400 pessoas e 20 sindicatos estiveram presentes para debater a necessidade da deflagração de uma greve geral dos trabalhadores. A greve seria motivada pelo decreto do governo estadual, publicado no dia 30 de março, que corta gastos no setor público. Após horas de debates, decidiu-se pela realização de duas paralisações gerais nos dia 11 e 12 de maio, com atos em frente à Secretaria de Estado de Administração (Sead). A deliberação dividiu opiniões.

A necessidade de organizar os sindicatos para envolver o maior número de trabalhadores na greve foi o argumento principal utilizado por aqueles que defenderam a proposta vencedora, que estabeleceu as paralisações dos dias 11 e 12 de maio. Élison Oliveira, do Sindicato dos Servidores do Departamento de Trânsito do Estado do Pará (Sindetran/PA) e representante do Fórum de Entidades de Servidores Públicos do Estado, acredita que, embora o indicativo não tenha sido de greve, a necessidade de uma ação mais incisiva se mantém por parte dos servidores. “Há um quadro favorável para a greve geral. Eu acho que o resultado da assembleia aponta para uma organização com mais tempo de mobilização nas bases, afinal é preciso alcançar o estado inteiro e não apenas a capital”, afirmou.

Servidores filiados a 20 sindicatos de diversos segmentos se reuniram em assembleia para reagir aos cortes propostos pelo governo do Estado. (FOTO: Josecy Fernandes)

A técnica de enfermagem do Hospital Ofir Loyola (HOL), Rosângela Nogueira, esperava que os acontecimentos ocorressem de forma diferente. “Vários sindicatos não mobilizaram as suas categorias. Poderíamos ter tido muito mais gente aqui e decidido pela greve”, constatou. No entanto, para ela, a reunião foi apenas uma fase inicial do movimento. “É um processo que vai continuar, que está em construção, mas é preciso que haja uma construção política de fato na base dos sindicatos. Não podemos deixar passar a hora de se organizar.” Segundo Rosângela, setores da saúde já estavam preparados para iniciar a greve geral e foram surpreendidos pela proposta de adiamento sustentada na assembleia. Ela acredita que os servidores não podem deixar que o Estado chegue ao ponto de parcelar salários, como ocorre hoje no Rio de Janeiro.

Valdo Martins, da Federação dos Servidores Públicos do Estado do Pará, sustentou na reunião que os servidores de todas as categorias estão insatisfeitos pelas medidas do governo, em especial com o Instituto de Assistência dos Servidores do Estado (IASEP), que teve sua alíquota de arrecadação aumentada de 6% para 8% do salário do servidor no último ano.  Ele defendeu, porém, que foi preciso tomar uma decisão “com a razão e não com a emoção pra que se consiga realizar uma greve com resultados práticos.”

“Nós somos 150 mil trabalhadores em todo o estado e não os 400 que estão aqui. Não temos contingente para uma greve geral. É preciso estarmos convictos para realizar uma forte organização política.”


“Nós somos 150 mil trabalhadores em todo o estado e não os 400 que estão aqui. Não temos contingente para uma greve geral. É preciso estarmos convictos para realizar uma forte organização política”, discursou Valdo. A declaração manifestou reações contrárias e gritos de “greve!” vindos da arquibancada do ginásio. Uma segunda proposta, que defendia a realização imediata da greve, foi então posta para o debate. No entanto, após defesas de ambos os lados, a maioria dos presentes votou pela proposta número um, de realizar duas paralisações como forma de mobilizar as categorias.

RAZÕES

A assembleia discutiu e rechaçou também a proposta do governo de realizar apenas um aumento de R$ 100 no tíquete alimentação, ignorando o reajuste obrigatório com base na inflação de 11, 56% do salário dos servidores. Essa é uma das principais razões da insatisfação dos trabalhadores estaduais. “O não repasse da inflação é uma redução salarial sim. O mais violento é ter o seu poder de compra reduzido, pois aí você mexe com a alimentação das famílias. Isso é completamente inconstitucional”, disse Élison, do Sindetran. Segundo ele, a assessoria jurídica do sindicato está a possibilidade de entrar com uma ação judicial contra o governo.

No ginásio da escola superior de Educação Física, os trabalhadores refutaram a greve, mas decidiram por paralisações nos dias 11 e 12 de maio. (FOTO: Josecy Fernandes)

A assessoria de comunicação da Sead alegou por meio de uma matéria jornalística que o aumento no auxílio-alimentação foi uma medida feita “no sentido de tentar suprir a maior despesa do trabalhador, que é a alimentação”. O estado afirma ainda que “o Pará está entre os poucos Estados brasileiros que, mesmo diante da crise econômica, mantêm o pagamento do funcionalismo em dia”. Nada foi respondido sobre a ausência do reajuste salarial que pelo menos repusesse a inflação.

“É certo que vivemos uma crise econômica, mas isso não justifica a falta de reajuste e aumento do salário do trabalhador.”

“É certo que vivemos uma crise econômica, mas isso não justifica a falta de reajuste e aumento do salário do trabalhador. Inclusive, um deputado da situação disse recentemente que não houve diminuição da arrecadação. O governador deveria era reduzir os cargos comissionados”, manifestou-se Otoniel Araújo, do Sindicato dos Trabalhadores do Setor Agropecuário e Fundiário do Estado do Pará (Stafpa).

De acordo com o resultado da assembleia geral, serão feitas paralisações nos dias 11 e 12 de maio na frente da Sead com a presença de carros-som e mobilização de trabalhadores desde o início da manhã. Os representantes do Fórum defenderam que cada servidor será responsável por trazer mais trabalhadores para o embate com o governador. “Se o governo não sentar para conversar, vai ter greve geral”, concluiu Élison.

 

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