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A ocupação do prédio do Ministério da Cultura, em Belém, prossegue com atividades culturais e debates. O teor do movimento vai além da discussão sobre política cultural. 

Clima de festa? O sentimento de quem ocupa o prédio do Ministério da Cultura, representação da região Norte, em Belém, é de resistência: resistência, cultura e arte. Desde o início da tarde desta quarta-feira, 18, prossegue a ocupação, na avenida Governador José Malcher, com mensagens e atividades político-culturais organizadas pelos manifestantes como forma de conscientizar a população para a importância da luta. Um movimento iniciado por artistas, mulheres, negros e ativistas como mecanismo de protesto ao fechamento do Ministério da Cultura, e diversos outros ministérios, decretado pelo presidente interino no Michel Temer (PMDB). A programação continua durante toda a sexta-feira, 20, sempre encerrando com uma plenária para avaliar e debater as atividades diárias e posteriores.


A extinção do Ministério da Cultura foi a porta para o debate sobre uma série de medidas conservadoras anunciadas pela coalização PMDB-PSDB. (FOTO: Abílio Dantas)

Nos últimos dias, o movimento teve a adesão de amplos setores culturais e de outros segmentos, mas também sofreu o ataque de críticos que acreditam haver outras lutas mais importantes que a manutenção de um Ministério da Cultura independente. O jornalista Lúcio Flávio Pinto, na última quarta-feira (18), criticou o “barulho dos artistas” e afirmou, entre outras coisas, que a briga é para se continuar “uma mamata estatal, uma fonte de recursos amiga, condescendente e compreensiva para a condição de artistas”. Depois da reação negativa de vários apoiadores da ocupação, o jornalista, nesta sexta, 20, disse sofrer ataques “por ter mexido neste vespeiro de intolerância que é o mundo da cultura”. “Quando eu me posicionei ao lado dos artistas, no ano passado, na reação ao Paulo Chaves Fernandes, fui enaltecido”, continuou em seu blog. “Agora que divergimos, sou vítima da ira belicosa sem que meus argumentos sejam devidamente analisados e o debate se trave no plano das ideias.”


Durante a plenária de quinta, depois da discussão sobre o silenciamento de mulheres, a plenária foi comandada por elas mesmas. (FOTO: Kleyton Silva).

A manifestação, no entanto, vai muito além do luto pela extinção do Minc, como afirma Leandro Haick, performer e dançante das ruas. “Não estamos aqui por causa desse ministério que foi extinto, porque o Minc nunca nos representou enquanto artistas, enquanto sujeitos dentro dessa cidade”, contextualizou Haick. “Mas isso aqui é um dispositivo para encontro, para questionar o governo, esse governo que não nos interessa.” Esse e outros posicionamentos dos ativistas ocupantes do prédio do Minc em Belém podem ser lidos na carta manifesto, publicada na página do OcupaMincBelém.

MANIFESTO

Na quinta, 18, durante a ocupação, o dia foi cheio de atividades culturais, desde oficinas e debates à exibição de filmes e shows. Contudo, o processo de construção e desconstrução ainda causa dores a quem está no caminho e não se integrou ao movimento. Esse foi o caso da denúncia feita por Leandro Haick. Segundo ele, alguns funcionários do Minc “estão querendo nos minar de todas as formas, nos pequenos atos que nos desrespeitam, querendo deslegitimar a ocupação”. Ainda de acordo com ele, essa “é uma ocupação não somente de artistas, mas de todos os seguimentos que estão indignados com esse governo imposto, ilegítimo, os segmentos negros, afro-ameríndios, afro-religiosos, as putas, os travestis, os LGBTs, as mulheres, os idosos, as crianças, os loucos, todos os que estão dentro dessas secretarias que foram extintas”. A denúncia se refere, mais exatamente, à falta de colaboração de alguns funcionários do Minc, que estariam boicotando a ocupação, tanto em espaços digitais quanto no acesso a banheiros para os ocupantes.


Além das tentativas de deslegitimar o processo de ocupação, há denúncias de machismo. Para isso, as mulheres tomaram o microfone durante a última atividade cultural da noite de quinta para denunciar as diversas formas de violência que vêm sofrendo durante o movimento, como o silenciamento de suas vozes em momentos importantes de discurso. Durante a intervenção, para contrapor essa comportamento perante homens ali presentes, elas cantaram, junto com o coletivo feminista Mulheres do Fim do Mundo. “Ei, parceiro, vê se escuta/ Lugar de mulher é na luta, é na luta”. 

E como forma de tentar sanar esses ocorridos, a plenária de quinta, que iniciou às 22h30, foi comandada por mulheres. Esse foi um ato importante de reconhecimento das mulheres na sociedade. Com isso, vieram as pautas feministas. Para Vanessa Nascimento, do coletivo Mulheres do Fim do Mundo, a sociedade tem que caminhar “para isso mesmo, porque somos desrespeitadas todos os dias e não temos os mesmos espaços que os homens”. Além disso, completa Vanessa, “a plenária, teve uma questão simbólica muito representativa e muito forte, que tem que ser colocada”. Para ela, as “mulheres têm que iniciar a fala, sim, porque não se vive num sistema em que as mulheres estão no comando ou em posição igualitária”. 

PROGRAMAÇÃO

A programação desta sexta iniciou às 7h30 com meditação matinal, seguiu com uma aula aberta sobre Direitos Humanos e, no fim da manhã, houve intervenções pelas ruas da cidade com oficinas e confecções de cartazes e tipografia. À tarde, a programação segue com um cortejo, às 16h; debate sobre cultura alimentar, agroecologia e violação de direitos e oficina de lambe, todas às 17h. Além disso, ainda haverá debate sobre patrimônio cultural afro-amazônico e intervenção musical. Acompanhe tudo o que acontece na ocupação na página do OcupaMincBelém. 

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