Ocupação estudantil

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Estudantes ocuparam por 34 horas a escola estadual Helena Guilhon, em Belém, por melhores condições de infraestrutura e ensino. Depois de reunião, a Seduc atendeu às reivindicações. 
Durou 34 horas a ocupação da escola estadual Helena Guilhon, no conjunto Satélite, em Belém. Na última segunda-feira, 23, estudantes da instituição se uniram ao movimento de ocupações que corre todo o país: dentre as pautas, os alunos reivindicavam reforma da escola, melhorias na merenda escolar e eleições diretas para diretor. A precariedade da escola vai além: sequer há professores suficientes e o prédio está infestado de pombos. Criando uma programação educativa e cultural durante a ocupação, os alunos mantiveram o movimento até a tarde desta terça-feira, 24, quando as demandas foram atendidas pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc).

Durante o movimento, estudantes organizaram uma programação para ocupar o espaço das aulas, como shows e cursos. (FOTO: Klewerson Lima)

Com regimes fundamental e médio, a escola Helena Guilhon possui 2.200 alunos matriculados, divididos em três turnos. A ocupação da instituição foi a radicalização de um diálogo sem frutos, dizem os alunos, junto à Seduc. Durante reunião na secretaria, em que foram apresentadas as reivindicações, a instituição não deu uma resposta definitiva sobre a resolução dos problemas. “Ficou tudo no ‘achismo’. E os estudantes acharam que, com todo esse ‘desgoverno’, não seria coerente desistir agora”, explica a estudante Marisa Brandão, 19, da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES), que apoia o movimento. “É por isso eles ficaram aqui, resistindo.”

“A gente teve apoio da comunidade do Satélite, que foi muito empática, fornecendo comida e água”

A falta de professores, a precária infraestrutura e, pior, a infestação de pombos, que são vetores para a transmissão de doenças, como a toxoplasmose e a tuberculose avícola, são, para os alunos, um “desrespeito da secretaria estadual com os alunos”, diz o estudante Rafael Galvão, 22, também da UBES. “Foi por isso que houve ação. A galera vai ficar aqui ocupando até que a secretaria se comprometa, dê algum respaldo de que vai fazer alguma coisa”, adiantou o estudante, ainda pela manhã. 

Mas nem todos apoaram a ocupação. Afora alunos, pais e o centro comunitário do conjunto Satélite, a diretoria e os cerca de 80 professores com aulas na instituição não aderiram ao movimento. “A posição da diretoria é contra a ocupação, professores também”, contou Marisa. “Quem ajudou foi o Centro Comunitário e pais de alunos.” 

“As ocupações são em prol da melhoria da educação, principalmente no Estado do Pará”

Durante as horas de ocupação, foi realizada uma programação com palestras, debates, oficinas e shows. Na manhã desta terça, por exemplo, houve apresentação de uma banda composta por alunos e pais. Durante a tarde, aconteceu uma oficina de grafite para os alunos e comunidade em geral. Nos turnos diurnos, alunos foram à escola normalmente. Já na noite de segunda, cerca de 35 estudantes acamparam na escola, dormindo em salas, para manter a ocupação. A alimentação também foi fornecida pela comunidade do entorno da escola. “A gente teve apoio da comunidade do Satélite, que foi muito empática, fornecendo comida e água”, contou. 

Poucas horas de ocupação foram necessárias para que a Seduc reconhecesse as faltas e garantisse a resolução dos problemas. (FOTO: Klewerson Lima)
A ocupação em Belém faz parte de um contexto maior, num movimento que ocorre em diversas escolas do Brasil por melhorias na educação. Mesmo não estando articuladas diretamente, as ocupações são termômetro do clima político e da qualidade do sistema de ensino. “As ocupações são em prol da melhoria da educação, principalmente no Estado do Pará”, avalia Marisa Brandão, e também “são em defesa da democracia e contra o retrocesso no nosso país”. Para ela, esse contexto emerge à medida em que se observa a educação no Estado. “Isso porque a gente sabe que a educação do Pará não é uma educação de qualidade, que prepara o aluno para a universidade.” Ela se refere às primeiras medidas do presidente interino Michel Temer para a educação, que inclui cortes nos programas ProUni, Pronatec e Fies. 

REUNIÃO

Depois de reunião entre estudantes e a secretária adjunta de logística escolar, Maria Beatriz Padovani, houve um acordo. Em memorando, a secretária se comprometeu a atender as reivindicações. O documento cita que a “reforma da escola será iniciada no prazo de 30 dias”, além da limpeza dos pombos, que “será providenciada nos próximos dias”. Quanto à merenda, a entrega “será iniciada na data de 25/05/16, impreterivelmente”. Segundo os alunos, caso o acerto não seja cumprido, a ocupação será reiniciada. 

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