Ocupa Mestre 70

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Após sete dias de atividades do movimento Ocupa Minc Belém, surge outra ocupação na capital paraense. Além de ações continuarem sendo desenvolvidas no prédio do Ministério da Cultura, ativistas se instalam agora no Espaço Cultural Mestre 70, no bairro do Guamá. Em seu início, a segunda ocupação já recebe ameaças da Guarda Municipal.
O bairro de Nazaré e o bairro do Guamá, em Belém, apesar de suas diferenças de infraestrutura e no caráter da presença do poder público, tornaram-se nesta semana territórios de ocupações políticas simultâneas na capital paraense. Ativistas que ocupavam desde o dia 18 de maio o prédio do Ministério da Cultura (Minc), Regional Norte, localizado na avenida José Malcher, decidiram nesta terça-feira, 24, voltar suas atividades ao Espaço Cultural Mestre 70, na avenida José Bonifácio, que pertence à prefeitura de Belém. Os movimentos seguem em colaboração, mas com algumas diferenças de objetivo. Enquanto o primeiro prioriza o debate institucional, o segundo elege como foco as culturas populares amazônidas e as populações da periferia da cidade.
Duas ocupações, com caracteres diferentes, ocupam o espaço público com debates políticos, oficinas e programações culturais em Belém (Foto: Alexandre Gibson) 
Em relato publicado na página Ocupa Minc Belém, os ativistas do Mestre 70 afirmam que agora estão ocupando um local que “também possui representatividade à população, desta vez numa área periférica da cidade, com importância para a manutenção de manifestações culturais e construção de estratégias populares”. Na manhã de ontem, 24, um grupo partiu em cortejo do prédio do Minc, em direção ao bairro do Guamá, com instrumentos musicais, cantos e danças. A decisão de ocupar um outro espaço ocorreu em plenária e determinou também que a sede do Minc continuaria sendo ocupada por quem tivesse interesse, com o desenvolvimento de atividades como debates e oficinas, tal como já havia sido feito.

“Chegando ao local, encontramos o prédio – como já sabíamos – com a estrutura totalmente abandonada”

“Apesar das diferenças que temos, precisamos nesse momento nos unir em torno da nossa pauta em comum, ao nosso consenso, que é o Fora Temer, o não reconhecimento desse governo”, afirmou Adriana Cruz, atriz e educadora, participante de reunião realizada no Minc. As reuniões da ocupação no Guamá, no entanto, possuem prioridades diferentes.

No espaço do Mestre 70, local que é formado por uma ampla quadra de esportes e está abandonado há anos pelo poder público, as atividades tem como principal objetivo a aproximação dos produtores de cultura do bairro e do fortalecimento dessas culturas, como o brinquedo de rua do boi-bumbá. “Chegando ao local, encontramos o prédio – como já sabíamos – com a estrutura totalmente abandonada. Mas também fomos recebidos por alguns moradores e representantes comunitários que puderam manifestar seu apoio ao movimento em roda de conversa”, informa o relato dos ocupantes.
GUARDA MUNICIPAL
A programação desta quarta-feira, 25, estava repleta de atividades nas duas ocupações. No Minc, foram divulgadas ações como oficina de escrita criativa, debate sobre Belo Monte e apresentação musical, enquanto que no Mestre 70; debate sobre racismo e conversa sobre a situação atual do espaço esportivo, entre outras. No entanto, o dia trouxe uma surpresa. Por volta de 9h30, três equipes da Guarda Municipal de Belém foram ao acampamento do Guamá, em horários diferentes, uma seguida da outra.
Os moradores do Guamá constroem e participam das atividades no acampamento Mestre 70 (Foto: Alexandre Gibson)
De acordo com os ocupantes, eles chegaram “batendo fotos de todo mundo”. “Nós dissemos que eles precisavam era tirar foto do espaço. Mas nós dissemos que eles poderiam participar da roda de conversa que estávamos fazendo, se eles quisessem”, relatou uma ativista que preferiu não se identificar. Ainda segundo a ocupante, os membros do movimento também questionaram a Guarda sobre a razão de equipes diferentes visitarem o mesmo local em poucos minutos. Um guarda apenas identificado pelo sobrenome Saraiva lhes informou que os agentes estavam “apenas cumprindo ordens”.

Outro inspetor alegou que o movimento precisaria desocupar o local devido às más condições da estrutura, na qual ninguém poderia habitar, segundo o próprio, mas nenhum laudo foi apresentado. O movimento permanecerá no espaço Mestre 70 desenvolvendo ações como a criação de biblioteca e debates políticos, no objetivo de tornar o local útil em parceria com a população do bairro.

Até o fechamento da reportagem, não foi possível obter uma resposta da Prefeitura de Belém sobre a razão do comportamento da Guarda Municipal de Belém e os motivos do abandono do espaço pela administração.

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