Marcha das Mulheres

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Belém foi palco de mais uma manifestação em defesa dos direitos das mulheres. A Marcha das Mulheres contra a Desigualdade reuniu entidades de diversos segmentos do movimento feminista e pautou temas como assistência à saúde e a cultura do estupro.
A protagonização feminina na luta contra a desigualdade, por equidade de direitos e contra a violência praticada diariamente contra as mulheres, vem ganhando corpo nas mais diversas cidades do país. No último domingo, 5, as mulheres tomaram novamente as ruas, dessa vez em Belém, e levantaram a voz contra o machismo, o feminicídio e todas as formas de desigualdade.
A Marcha das Mulheres contra a Desigualdade reuniu mais de 10 movimentos feministas de Belém. 
(Foto: Alberto Akel)
A Marcha das Mulheres contra a Desigualdade, juntamente com o movimento Elas Por Elas e mais 10 coletivos feministas da cidade, reuniu mais de 200 mulheres que, da escadinha da Estação das Docas até o Teatro da Paz, na avenida Presidente Vargas, foram entoando gritos de “Basta de Feminicídio!”, “Meu corpo, minhas regras”, entre outros. O objetivo era chamar a atenção da sociedade paraense para toda forma de violência sofrida pelas mulheres, bem como reivindicar equidade nos salários, melhoria no atendimento básico de saúde, o fim da cultura do estupro e melhor tratamento dos casos de violência contra a mulher.

“Nossa intenção é chamar atenção para as pautas femininas. Os homicídios contra mulheres tem números alarmantes no país”, conta a professora Milena Lauande, que integra o Instituto Popular Eduardo Lauande (Ipel). “Vivemos em um estado campeão no número de casos de câncer de mama, mas que não disponibiliza mamógrafos na rede pública de saúde. Essas e outras demandas precisam ser ouvidas e sanadas”, afirmou.
 
O ato deste final de semana foi pensado para unificar os diversos movimentos que existem na capital paraense e fortalecer a atuação em prol dessas demandas femininas
De acordo a pesquisa “Estimativa 2016: incidência de câncer no País”, realizada pelo Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca), o câncer de mama é o tipo mais comum e o que mais mata mulheres no mundo. Em segundo lugar está o câncer de útero. No Brasil, o número de incidência do câncer de mama corresponde a 25% de todos os casos do país e a estimativa de novos casos é de quase 58 mil pessoas atingidas. No Pará, esse número fica estipulado em torno de 830 casos, sendo quase a metade, 410 casos, localizados na capital paraense.

Uma das coordenadoras do evento, Kátia Garces, afirmou que o ato deste final de semana foi pensado para unificar os diversos movimentos que existem na capital paraense e fortalecer a atuação em prol dessas demandas femininas. Ela avaliou que o objetivo foi concretizado e já abriu espaço para uma agenda com futuros eventos programados.
FEMINICÍDIO

Outra bandeira que as mulheres levantaram na Marcha foi pelo fim do feminicídio, assassinato de mulheres cometido geralmente por parceiros ou ex-parceiros por questões de gênero, ou seja, apenas pelo fato de serem mulheres. De acordo com o Instituto Patrícia Galvão, no Dossiê de violência contra as mulheres, as motivações para esse tipo de violência são diversas. “As mais usuais são o ódio, o desprezo ou o sentimento de perda do controle e da propriedade sobre as mulheres, comuns em sociedades marcadas pela associação de papéis discriminatórios ao feminino, como é o caso brasileiro”, aponta a pesquisa.
 
O Brasil é o 5º país mais violento com as mulheres, perdendo somente para El Salvador, Colômbia, Guatemala e a Federação Russa.
Segundo o Mapa da Violência 2015, organizado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais em parceira com a ONU Mulheres, Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres e Organização Pan-Americana da Saúde – Organização Mundial da Saúde(OPAS/OMS), cerca de 13 mulheres por dia foram vítimas de feminicídio no Brasil em 2013. Ainda segundo o Mapa, o Brasil é o 5º país mais violentos com as mulheres, perdendo somente para El Salvador, Colômbia, Guatemala e a Federação Russa.
 

A ativista Jucilene Carvalho afirma que o Brasil possui uma história de sucessivos estupros de mulheres indígenas e negras (Foto: Alberto Akel)
O recente caso de estupro coletivo ocorrido no Morro do Barão, em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio de Janeiro, também foi lembrado no ato, mas não foi tratado pelas manifestantes como um caso isolado. Jucilene Carvalho, do Movimento Negro Círculo Palmarino e integrante do Coletivo Rosas de março, denuncia que a miscigenação no país se deu por meio do estupro das mulheres negras e das indígenas. Para ela, “o estupro é uma cultura que se dá no Brasil desde que nossas ancestrais foram trazidas da África. Hoje vivemos em uma sociedade onde a cada 11 minutos uma mulher é estuprada. Estamos lutando pelo fim dessa cultura”, relata.
Após o caso do estupro coletivo do Rio de Janeiro ganhar visibilidade nacional, diversos outros crimes da mesma natureza foram denunciados nas redes sociais. O último caso de destaque foi cometido em Teófilo Otoni, na cidade de Minas Gerais. A ocorrência, dessa vez, foi dentro do acampamento do Movimento Sem Terra (MST), em que uma mulher de 42 anos foi abusada sexualmente por 2 homens. Até o momento, o MST não emitiu nenhuma nota sobre o caso.

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