Paralímpico

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A colunista dessa semana, Débora Costa, aborda a dificuldade de ser mulher, cadeirante e atleta em Belém. O Brasil é hoje uma potência no esporte adaptado, mas as profissionais dessas modalidades ainda sofrem com a falta de apoio.

O esporte já foi visto pela sociedade como um meio de agrupamento  de pessoas que não  tinham objetivos e nem expectativas de uma vida profissional ou na busca por uma colocação  dentro da pirâmide social. Porém, com a implantação de escolas especializadas,  universidades e centros comunitários que tinham como objetivo fazer do esporte um atrativo, esta visão aos poucos foi mudando.

Assim, crianças, jovens e a comunidade  em geral começaram a buscar oportunidades dentro da vida social e profissional através  da prática  esportiva, que se transformou em um meio de conquista e de aceitação pelos valores individuais, independente de religião,  situação  financeira, cor da pele ou qualquer deficiência. Percebemos aí que a atividade esportiva seria o veículo mais rápido de oportunizar e criar uma autoestima nos seres humanos.


A  existência da Equipe All Star Rodas, clube de basquete, é fruto de esforço e dedicação por parte das atletas (FOTO: Divulgação)


Depois dessa conquista pelo reconhecimento do esporte como profissão, se evidenciou um problema maior que era a aceitação  no meio esportivo do sexo feminino. Ainda neste século temos  países  que bloqueiam a participação  feminina no esporte como os islâmicos e da Arábia Saudita. A luta é grande e o sucesso dessa inserção só  foi alcançado devido a teimosia de grupos de profissionais e de cientistas do esporte que se juntaram a causa e provaram que mulheres são um grupo vitorioso e de capacidades naturais espetaculares para a prática esportivas. Isso motivou as mulheres a buscar cada vez mais o seu espaço e que a sociedade em geral passasse a ter um respeito não  só  pela atleta mulher.

Ainda neste século temos  países  que bloqueiam a participação  feminina no esporte como os islâmicos e da Arábia Saudita


Hoje, a mulher administra lar, tem sua vida profissional, pratica esporte, vive do esporte  e está  ganhando espaço dentro do meio político gerenciando qualquer lugar, seja profissional ou esportivo. Tomo-me como exemplo, ser mulher atleta é difícil  principalmente  dentro do nosso país. Ser mulher atleta e deficiente, então, é  muito mais difícil, porém o esporte ensinou  ao segmento de pessoas deficientes que a prática é  uma atividade motivadora, competitiva, que soma valores e é  capaz de igualar todos os seres humanos, pois o esporte é a base de uma vida sadia e salutar.


O atleta paralímpico em Belém tem dificuldades de encontrar espaços adequados para treinos (FOTO: Divulgação)


Iniciei minha carreira no basquete em cadeira de rodas aos 17 anos, mas antes já praticava  vôlei  na escola, conheci o basquete através  de uma pessoa que já  praticava. Foi a primeira vez que tive convívio com outras pessoas portadoras de  necessidades especiais.

Nessa época já enfrentava o desafio de estudar e me dedicar ao esporte ao mesmo tempo. Meu pai tentou me fazer desistir do basquete, afirmando que o esporte iria me atrapalhar nos estudos, e não  iria me levar a nada! Fui persistente, mesmo não sabendo o que o esporte tinha reservado para mim, me joguei de cabeça, no final do ano provei ao meu pai que ele estava errado, conquistei minha primeira  convocação  pra seleção,  mas no final não pude permanecer na equipe por causa da pouca idade. Já no ano seguinte fui disputar os jogos Paralímpicos em Pequim, e daí  em diante não abandonei a seleção.

Ao viajar pra outros países percebi o valor que essas pessoas davam ao esporte. Via o apoio que era dado através de quadras boas pra treinamento e pela grande presença do público. Isso tudo me fazia pensar o porque na nossa cidade era diferente? Em outros países  é comum ver quadras maravilhosas pra treinar, aqui é  bem raro encontrar uma quadra. Não  temos muitos apoios pra seguir na carreira, muitos atletas trabalham e treinam porque não tem como viver apenas do esporte, devido a falta de incentivos.

Não  temos muitos apoios pra seguir na carreira, muitos atletas
trabalham e treinam porque não  tem como viver apenas do esporte,
devido  falta de incentivos.


Outros perdem oportunidades, pois precisariam ir a outros estados para treinar, mas não podem deixar a família e a cidade onde cresceram. Hoje, sou uma atleta profissional, e não ganho muita  coisa para isso, mas consigo me manter. Na verdade, posso afirmar que não  vivo do esporte, vivo para o esporte. Espero um dia poder viver do esporte realmente! Pois, se para o atletas convencionais já  é difícil o apoio, imagina para os competidores de esporte adaptado. Muitos ainda nem tem conhecimento  dessa modalidade na sociedade.

As olimpíadas e paralimpíadas estão na porta e mesmo assim não  vemos divulgação  na cidade, a falta de apoio é muito grande. Hoje, há 94 atletas paralímpicos de esportes individuais contemplados com a Bolsa Pódio, do Ministério dos Esportes, um investimento anual de R$ 14,9 milhões. Por meio no Plano Brasil Medalhas, 60 atletas de modalidades coletivas (vôlei sentado, futebol de 5, futebol de 7 e goalball) também são apoiados.

Eu continuo no esporte porque amo o que eu faço,  faz bem pra minha saúde e foi através  dele que eu enxerguei a vida de outra maneira. Esporte é  minha vida, o All star Rodas (clube ao qual faço  parte) é  minha segunda família, passo mais tempo lá treinando do que em casa e tenho muito orgulho disso. Mesmo não  tendo o devido reconhecimento  na cidade, continuamos nosso trabalho e através dele conseguimos resgatar algumas pessoas que acharam que a vida tinha acabado depois de adquirir uma deficiência,  e é isso que nos motiva a seguir sempre em frente em nossos  objetivos.


Débora já foi eleita melhor jogadora mesmo em competições masculinas (FOTO: Divulgação)


Acredito que se nossos governantes pensasse assim, teríamos mais eventos esportivos, além do futebol em nossa cidade, e muitos eventos com esportes adaptados. Espero um dia poder ver nossa Belém mais evoluída no quesito  esporte, pois esse sim seria um sonho realizado para muitos atletas daqui.

Debora Costa, é atleta da equipe All Star Rodas. Foi 15 vezes campeã  consecutiva e participou de duas paralimpíadas (Pequim 2008 e Londres 2012), duas copas das Américas  (Guatemala 2009, como vice campeã e Guatemala 2013, como campeã), foi medalha de bronze  no Parapan em Guadalajara  2011 e cestinha da seleção  na competição. Foi eleita também pelo Comitê  Paralímpico a melhor jogadora de basquete sobre rodas do Brasil em 2011 e a quinta melhor do campeonato da 3ª divisão  em 2015.

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