Ciberfeminismo

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O movimento feminista e o ciberativismo estão juntos no caminho de mudanças da política no país. A jornalista Larissa Saud aborda o tema.

As manas feministas já devem ter escutado pelo menos uma vez a clássica frase “isso de feminismo é tudo moda”. Dependendo do humor e paciência de cada uma, a provocação indigna ou faz rir. Primeiramente, – fora Temer! – vale ressaltar que o feminismo não é uma moda. Ser consciente dos preconceitos de gênero e lutar contra estruturas patriarcais não é como uma calça ou um batom que se usa quando é conveniente.
Para a autora, a horizontalidade proporcionada pela internet no movimento feminista pode ser considerado o que há de mais revolucionário na atualidade. (Foto: Kleyton Silva)
Sim é verdade que feminismos encontraram na internet uma forma eficiente de se fazer ouvir. São blogs, revistas, grupos, bibliotecas virtuais. Novas formas de gerar conteúdos facilitando o surgimento de diversas plataformas. Projetos como Blogueiras feministas, BlogueirasNegras , Transfeminismo, Biscate Social Club, Lugar de Mulher são alguns exemplos. Vale lembrar que muitas organizações já existiam antes das hastags, tweets e textão no facebook. É o caso de Geledés que desde 1988 se organiza em torno das pautas das manas negras.

Quem não se lembra da “primavera feminista” de 2015? O ano foi marcado por fortes manifestações.

A internet não chegou ontem e tan-dan! “Todo mundo virou feminista e agora?!” Não foi assim. Ela proporcionou o circular de informações de uma forma mais rápida, interativa e horizontal. Dados deste ano do Instituto Reuters mostram que 58% das casas brasileiras tem acesso regular a web e que 72% das entrevistadas se informam através das redes sociais. Movimentos feministas souberam muito bem como usar isso.

Quem não se lembra em 2015 da “primavera feminista”? O ano foi marcado por fortes manifestações. Hastags #‎primeiroassédio‬ ‪#‎meuamigosecreto #chegadefiufiu tomavam timelines. As campanhas deram resultado longe dos teclados. No disque-denúncia as chamadas subiram 40% em comparação a 2014. Nas ruas milhares de mulheres exigiam “Fora Cunha”, contra a PL 5069/2013. O projeto de lei dificultou ainda mais o acesso à interrupção de gravidez e medicamentos contra DSTs em caso de estupro. Menos de um ano depois de aprovado o projeto, Eduardo Cunha caiu. Deixou marcas reacionárias na legislação do Brasil, mas caiu! O #Foracunha começou com as mulheres. Não podemos nos esquecer disso. Este ano somos nós outra vez! Atos eclodem de norte a sul pedindo pelo #Foratemer, muitos chamados pelos gritos femininos em várias cidades do Brasil.
A famosa sororidade, tão comentada nos últimos anos, tem ganhado espaço nas redes sociais. Grupos tomam conta do facebook. Os assuntos são diversos.
Além de manifestações, twitaços e hastagaços, há também redes de solidariedade e apoio. A famosa sororidade, tão comentada nos últimos anos, tem ganhado espaço nas redes sociais. Grupos tomam conta do facebook. Os assuntos são diversos. Denúncias, gaslighting, nudes, empoderamento, questionamentos sobre sexualidade, gordofobia, igualdade e diferenças, cisgênero, heteronormatividade, mansplaining. Cada dia se aprende algo novo.

A horizontalidade proporcionada pela internet no movimento feminista pode ser considerado o que há de mais revolucionário na atualidade. Mulheres, que desde a caça às bruxas foram atadas às esferasprivadas conseguem trazer suas demandas às esferas publicas. Até aí nenhuma novidade. A diferença está em pensar que mulheres no espaço público não supõe somente sua inclusão em relação a direitos civis, políticos e sociais, mas, inevitavelmente, leva a transformação no âmbito privado e, finalmente, existe a possibilidade de questionar e reconstruir as relações público-privado.Todas juntas, emaranhadas, com suas crises, dilemas e questionamentos, construindo os movimentos feministas atuais. No mínimo instigante, não?!
Segurança digital

As redes sociais ajudam e muito na organização dos movimentos feministas, mas a navegação precavida ainda é uma realidade distante. Páginas e grupos são criados todos os dias no facebook. A maioria das integrantes usam contas pessoais. Em Belém, a página Macho na Roda é a que mais se preocupa com segurança. Criada em julho deste ano, em menos de dois meses já acumula quase 23 mil curtidas. Os relatos anônimos contam casos de machismos, opressão e agressões, alguns envolvem até pedofilia. Os mais compartilhados são de professores de cursinhos, médicos e músicos da cena de Belém. O acosso às administradoras são diários: “Somos ameaçadas de processo, alguns até fazem BO (boletim de ocorrência), entre outras coisas, mas temos consciência do respaldo legal que possuímos”, contam em entrevista.

Os perigos de armazenar dados em servidores privados são variados e podem ir desde a interceptação por usuários comuns até grandes investigações policiais.
As criadoras dizem que não esperavam tanta repercussão e que devido às pressões tiveram que tomar precauções: “Fomos obrigadas a tomar medidas de segurança. Mas preferimos não entrar nesse mérito. Vamos deixar no ar pra (eles) ficarem perdidos”.Os perigos de armazenar dados em servidores privados são variados e podem ir desde a interceptação por usuários comuns até grandes investigações policiais.

Se você quer saber como tomar medidas de segurança na internet, existe um guia prático de combate à vigilância. O tem boi na linha? traz informações sobre riscos de navegar na internet, sugestões de e-mails seguros, chats criptografados e armazenamento de dados em servidores descentralizados: “esses bois (invasores) não são inofensivos, e podem inviabilizar as ações de um grupo, expor os ativistas, e favorecer a repressão”, alerta a cartilha elaborada pelo Centro de Mídia Independente.
Nota da Autora:
Entendo o feminismo como um movimento diverso e plural. Tento construí-lo com outras companheiras, buscando entender, solidarizar-me e aprender. Se alguma mana quiser criticar, adicionar ou compartilhar alguma experiência deixo abaixo meus contatos. Quem sabe escrevemos algo juntas?

Larissa Saud é graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Pará. Ajudou a cobrir conflitos relacionados a direito à terra na Amazônia, escrevendo para Xingu Vivo, Repórter Brasil e Portal Terra. Mora em Barcelona, em uma colônia ecoindustrial dedicada a difusão e investigação de software livre, soberania tecnológica e segurança digital. Recentemente começou a escrever para o ContraPoder, do diario.es

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