Candidaturas estão indefinidas na disputa eleitoral para o Governo do Pará

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O cenário para as eleições deste ano ao Governo do Pará e ao Senado Federal – que tem duas vagas em disputa – está em formação desde o final do segundo turno de 2014, quando o candidato Helder Barbalho, do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), foi derrotado e precisou rearrumar as estratégias para voltar ao páreo quatro anos depois. Mas foi uma decisão do governador Simão Jatene, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), no mês passado, que deu a deixa para os movimentos mais recentes das forças políticas.
A candidatura de Márcio Miranda (DEM) pode representar a perda do protagonismo do PSDB no Pará após 20 anos no poder (Foto: Guilherme Guerreiro Neto)
Havia possibilidade de Jatene se lançar como candidato a senador. Para isso, precisaria deixar o cargo de governador, como manda a legislação. Se renunciasse, ele passaria o governo para as mãos do vice-governador Zequinha Marinho, do Partido Social Cristão (PSC), cujas alianças para o pleito eleitoral ainda estão incertas, e podem ser contrárias aos rumos do PSDB. Como Zequinha não renunciaria junto com ele, Jatene preferiu não correr riscos: ficou no cargo e abriu mão da candidatura.

No dia 8 de abril, o governador informou por suas redes sociais a “decisão de continuar à frente do executivo estadual, cumprindo até o final, se assim Deus o permitir, o honroso mandato de governador do Estado que nos foi conferido por três vezes pela maioria da nossa população”. Com isso, vários interessados em disputar o Senado, inseguros com a possível concorrência de um ex-governador, lançaram-se no jogo. Um dos candidatos, inclusive, é Zequinha Marinho.
OS RUMOS DO PSDB

O PSDB, que já ocupa o governo do estado por 20 anos – não consecutivos, em função de um interregno de quatro anos de administração do Partido dos Trabalhadores (PT) –, pode perder protagonismo nestas eleições majoritárias. Há uma tendência de apoio do partido à candidatura do deputado Márcio Miranda, do Democratas (DEM), atual presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa). Nesse caso, o PSDB indicaria o vice da chapa.

Apesar da possível parceria com o partido do governador Simão Jatene, Miranda não se apresenta como candidato da situação. “Eu não me vejo assim. O meu partido é o Democratas, é um partido independente, e não vai dispensar nenhum apoio, nem de autoridade e nem de popular”, disse ao portal Outros400, durante evento de lançamento da candidatura de Sidney Rosa (PSB) ao Senado. Além de Rosa, ele apadrinha para ocupar as vagas de senador Osmar Nascimento (PDT) e Flexa Ribeiro (PSDB), que tenta a reeleição.

Caso o DEM lance candidato à Presidência e o PSDB esteja com Márcio Miranda, o presidenciável Geraldo Alckmin pode ficar sem palanque no estado.
Se esse quadro for confirmado, será a primeira vez desde sua fundação que o PSDB não terá um cabeça de chapa na disputa para a cadeira de governador do Pará. Só que os acordos locais dependem das disputas nacionais. Caso o DEM lance candidato à Presidência e o PSDB do Pará esteja fechado com Márcio Miranda, o presidenciável tucano Geraldo Alckmin ficaria sem palanque no estado. E a executiva nacional do partido não aprovaria. Por isso, a indefinição continua.

No MDB, a candidatura de Helder Barbalho está definida. Enquanto o Brasil se polarizava entre os discursos de golpe e de normalidade democrática, Helder circulou tanto pelo governo de Dilma Rousseff quanto pelo de Michel Temer. No primeiro, foi ministro da Pesca e Aquicultura e depois dos Portos, no segundo, da Integração Nacional, cadeira da qual se desligou no mês passado.

Nas pesquisas de intenção de voto realizadas pelo Ibope, Helder Barbalho está na frente

Além de estar em evidência midiática por conta do cargo nacional, o candidato do MDB também aproveitou para incluir o Pará na pauta ministerial. Este ano, os compromissos no estado representaram cerca de um terço de sua agenda pelo Ministério da Integração Nacional.

Na eleição de 2014, depois de terminar um pouco a frente, o filho do senador Jader Barbalho acabou derrotado no segundo: teve 48% dos votos contra 52% de Simão Jatene. Desta vez, ele aparece como favorito. Nas pesquisas de intenção de voto realizadas pelo Ibope, divulgadas em 16 de fevereiro deste ano, Helder lidera as intenções de voto dos eleitores em três cenários simulados. 

CENÁRIO À ESQUERDA

A recente filiação da ex-REDE Úrsula Vidal ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) gerou certo entusiasmo no partido, mas também críticas internas. O mesmo ocorreu nacionalmente, com a definição da candidatura à Presidência de Guilherme Boulos, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), pelo PSOL. Úrsula vai concorrer a uma vaga para o Senado. “A gente tem uma missão muito importante: de afirmar a urgência da paridade de gênero nos espaços políticos”, declarou à reportagem do portal Outros400.
Fernando Carneiro, pré-candidato pelo PSOL, tem como principal proposta discutir um novo modelo de desenvolvimento para o Pará. (Foto: Guilherme Guerreiro Neto)
O candidato do partido ao governo do estado é o atual vereador de Belém Fernando Carneiro. Ele aposta em uma mudança do atual modelo de desenvolvimento, de prioridade a grandes empresas. “O Pará não precisa de um novo governador, uma nova governadora; precisa de um novo modelo de desenvolvimento. Não adianta eu trocar as peças lá de cima se não troco o modelo.” As eleições vão testar se o PSOL, partido majoritariamente metropolitano, conseguiu se estadualizar.

O Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) também deve lançar candidatura própria ao governo do Pará, mas ainda não decidiu quem será o candidato. O nome será anunciado na próxima semana. “Nossa candidatura não vai se resumir a uma denúncia do partido A ou B”, adiantou o ex-vereador Cleber Rabelo, que é um dos prováveis candidatos ao governo pelo partido. “Chegamos a um momento em que o governo não tem controle sobre a violência, há uma onda de mortes e mortes de policiais. Vamos discutir uma saída para humanidade, discutir uma alternativa ao sistema capitalista.”
BUSCA POR ALIANÇAS

Entre 2007 e 2010, o PT esteve à frente do governo do Pará, com Ana Júlia Carepa. A experiência não foi aprovada pelas urnas na eleição seguinte. Mas, para o deputado estadual Carlos Bordalo, uma das lideranças do partido, o governo Ana Júlia não representa empecilho eleitoral ao PT. “Acho que isso ficou no passado. Até porque o governo que se instalou com o doutor Jatene não conseguiu virar uma página no Pará”, avaliou, por telefone.

Os nomes do PT na eleição deste ano são o do senador Paulo Rocha, para governador, e o do deputado federal Zé Geraldo, para o Senado. Rocha enfrentou divergências internas e críticas sobre possível proximidade com a candidatura de Helder Barbalho. Bordalo nega que haja aproximação com o MDB. O PT se apresenta como um projeto alternativo, em defesa do legado dos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff e na luta contra o golpe. A intenção do partido era formar uma Frente de Esquerda, que não se concretizou.  
Os rumos da corrida eleitoral ainda podem mudar até 15 de agosto, quando encerra o prazo para registro de candidaturas
As conversas continuam, no entanto, com o PCdoB, que não pretende lançar candidato próprio ao governo do estado e quer se aproximar daqueles com que tem mais identidade política. Para o presidente estadual do partido, Jorge Panzera, essa identidade gira em torno de partidos como PT, PV e PSOL. “Queremos debater a crise do estado, a questão de Barcarena, a crise da violência, o abandono da educação. ” A ex-governadora Ana Júlia Carepa, recém-filiada ao PCdoB, vai disputar vaga na Câmara Federal.

DESAFIOS

Os rumos da corrida eleitoral ainda podem mudar até 15 de agosto, quando encerra o prazo para registro de candidaturas no Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA). Mas sobre um ponto não há incertezas: quem vencer a batalha pelo Executivo vai ter que enfrentar problemas que saíram do controle do Poder Público, como a violência e os desastres socioambientais.

As chacinas nas periferias das grandes cidades e em localidades rurais, como a que ocorreu em Pau D’Arco, esperam respostas e soluções. A contaminação das águas e do solo de Barcarena pela empresa Hydro Alunorte é símbolo de ações que prejudicam a vida de comunidades e afetam o meio ambiente. O cenário de crises está posto. A população aguarda as propostas daqueles que pretendem administrar o Pará pelos próximos quatro anos.

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