Grupos juninos sobrevivem em Belém mesmo com pouco incentivo à cultura

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O mês de junho, quando se aproxima, traz com ele toda a tradição cultural de comemorações e festejos que prestam homenagens aos santos da quadra junina. Durante todo o mês, Santo Antônio, São João, São Pedro e São Marçal são reverenciados por todo o Brasil com extensas programações já incluídas nos calendários festivos de muitas cidades brasileiras. No Pará não é diferente.

As manifestações juninas resistem com o passar dos anos nos bairros periféricos de Belém (FOTO: Kleyton Silva)
Muitas cidades paraenses, antes do mês de junho, planejam suas programações alusivas ao mês. Algumas delas passam despercebidas de grandes divulgações, realizando suas festividades religiosas em homenagens aos santos da época. É o caso, por exemplo, de Santo Antônio do Tauá, município do nordeste paraense que tem como padroeiro Santo Antônio.Com repercussão ou não, grande parte das cidades, durante a quadra junina, valorizam sobretudo a cultura popular tradicional. Muitas realizam concursos de grupos de quadrilha nas categorias adulto e infantil, além da premiação das melhores misses.

De maneira geral, este é o momento dos grupos de quadrilha ganharem reconhecimento, além da visibilidade dos seus trabalhos. Ao longo do meses que antecedem o período, eles se dedicam arduamente em pesquisas, ensaios constantes e na confecção de figurinos para que suas apresentações caiam nas graças do público, que se faz presente nos espaços destinados à realização dos concursos.
Ausência de recursos levam os grupos juninos das periferias a recorrem a empreendimentos de seus bairros
Em Belém, a programação dos concursos de quadrilha é segmentada pelas instituições culturais municipais e estaduais, ocorrendo praticamente durante o mês inteiro. Normalmente a premiação deles é dada em dinheiro, o que acirra a competição entre os grupos e aumenta o nível das suas apresentações públicas. Isso reflete também, de maneira panorâmica, o nível de dificuldade que muitas manifestações culturais enfrentam para conseguirem recursos e ,assim, manter viva a cultura popular no estado.

Na capital, muitos grupos de quadrilha tem sua origem em bairros periféricos. Por conta de dificuldades financeiras, eles recorrem aos chamados patrocínios de empreendimentos do próprio bairro ou na promoção de eventos onde a arrecadação do dinheiro é investida para a produção dos figurinos. O dinheiro é também revestido para o transporte do grupo até os locais de apresentação.

O mesmo acontece com outros movimentos culturais que também tem sua origem nas periferias da cidade, como é o caso dos cordões de pássaros e bichos juninos e os bois-bumbá. Os cordões de pássaros e bichos juninos realizam em Belém a abertura das programações juninas, onde os grupos saem em cortejo e realizam suas apresentações. Eles buscam aliar suas narrativas cênicas com elementos da literatura amazônica, em enredos onde o bem sempre vence o mal.
Os movimentos são importantes por resgatarem elementos que ajudam a construir a história da cultura popular
Nas periferias também tem crescido o número de grupos de bois-bumbá, que se formam de maneira a resgatar ainda mais a cultura dos chamados “currais” de boi, onde eles realizam seus cortejos e acabam também por envolver a comunidade na realização.

Estes movimentos ganham um importante destaque durante a quadra junina, justamente por resgatarem elementos que ajudam a construir a história da cultura popular no estado e ainda assim, também enfrentam dificuldades para obter recursos na realização das suas festividades.
Com 32 anos de existência, o Arrastão da Pavulagem é uma manifestação que já utilizou plataformas digitais de financiamento para sair às ruas (FOTO: Kleyton Silva)
Temos como exemplo, a campanha de financiamento coletivo para obtenção de recursos realizada em 2015 pelo Arraial do Boi Pavulagem, movimento que há mais de 30 anos promove esta celebração da cultura popular nas ruas da cidade. Em meio a tempos tão difíceis, incentivar e manter viva estas manifestações culturais juninas no estado é sempre uma batalha. 

Se, de um lado, temos os esforços dos grupos em conseguir os recursos necessários para a realização das suas festividades, na outra via temos os órgãos e instituições culturais. É possível dizer, no meu entendimento, que o poder público se preocupa em dar a devida visibilidade às manifestações e recompensá-las. No entanto, pouco participam ou verdadeiramente incentivam o processo de construção.

O que temos é um cenário em que se destaca o grande potencial artístico e cultural das comunidades periféricas, ainda que sejam consideradas locais de risco iminente e cercadas de tantas mazelas sociais. Apesar também, sobretudo, da ausência de políticas efecientes, as periferias são ainda um berço significativo da produção de cultura popular  e continuam sendo fonte de importante de novas manifestações.
Pauline Protásio possui formação em Comunicação Social, com habilitação em Relações Públicas pelo Instituto de Estudos Superiores da Amazônia (Iesam). Tem experiência em Produção e Assessoria de Comunicação para eventos e manifestações culturais e atualmente mora em Portugal, onde desenvolve pesquisa de mestrado relacionada a estes temas. Também é colaboradora voluntária do Projeto Passeio, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho.

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