Jornalismo independente traz pontos de vista negligenciados, diz o jornalista João Cunha

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Noite de 4 de novembro de 2014, Belém do Pará. Tiros na Terra Firme, Guamá, Jurunas, Tapanã. Parece que é represália, mataram um PM hoje, dizem. “Ei, mana, estás bem, foi aí na tua rua? Avisa quando chegar em casa, por favor”. Na manhã, contando as mortes. “Foram dez ou onze?  Na TV, acabaram de anunciar mais uma vítima”. Quem matou tantos?

Execução. É o que mais corre nos bairros, mas não se ousa dizer em voz alta de quem é a mão. Mais uma entre tantas histórias caladas nessa cidade. O portal Outros 400 foi criado com o engasgo na garganta, de botar goela fora o que se é forçado a engolir em silêncio. Por falta de patente, grana, de blindagem à prova de balas. Na ausência de um lugar, façamos o nosso próprio.

A estreia foi preparada para a pomposa data de 400 anos de fundação da capital. “Belém Belém”, a Metrópole da Amazônia, cidade das mangueiras-morena-calorosa-mãe, porta de entrada para os encantos da região mais biodiversa do mundo. Angústia das proximidades de um aniversário a ser celebrado com perfumaria e tantos apagamentos.

Desde então, nesse espaço foram contadas uma porção de histórias como aquela que ficou conhecida como “a chacina de 2014”. Perseguição, violência, sujeira, indigência social, econômica, cultural, sangue. Muita festa e um bocado de lágrimas também. Sobretudo, a proposta foi, e continua a ser, a do contraponto. Discutir abertamente com os clichês e com os discursos oficiais e servir (a) outros olhares, abrir um canal para que pontos de vistas negligenciados possam se expressar.

Porque enxergar a si mesmo e ao grupo a que se pertence com respeito e voz própria em uma notícia ou reportagem não é pedir demais, é necessidade. Para que tudo e todos que sejam considerados marginais deixem os rodapés (quando eles são miseravelmente concedidos), ou os destaques das editorias policiais, para serem vistos e reconhecidos dignamente.

Entre hiatos e recomeços, é o que Outros400 faz e quer continuar fazendo. O apoio para essa jornada sempre veio exclusivamente de quem lê, compartilha, repercute o site. Colaborar com um projeto local de jornalismo independente e investigativo é ajudar Belém num momento em que aqui todos pedem urgência.

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